Em causa está um comunicado divulgado esta semana na página do movimento Convergência, intitulado “sobre a reestruturação/’reorganização’ do BE pós derrota eleitoral”, no qual são feitas várias críticas à direção de Catarina Martins, e cujas acusações foram noticiadas pelo Observador.

Questionada sobre esta notícia, fonte oficial do partido disse à agência Lusa que é “público o resultado eleitoral do Bloco de Esquerda nas recentes eleições legislativas, que levará a um corte de subvenção na ordem da quebra eleitoral e cujo valor exato só será possível determinar quando finalizado o processo eleitoral”.

“O Bloco sempre foi um partido de ativistas, continuará a sê-lo. Não faremos comentários públicos sobre um assunto que só ao Bloco diz respeito”, acrescenta.

De acordo com o comunicado do movimento Convergência, “a organização e a atividade política do Bloco, nas novas circunstâncias, são afetadas radicalmente”.

Esta situação, de acordo com os críticos, “impõe ao Bloco não só uma reorganização, mas uma reestruturação profunda, que contemple desde o fechamento de sedes à dispensa de dezenas de funcionários e assessores parlamentares e municipais”.

Esta reorganização “deve ter obrigatoriamente um enquadramento que integre, para além da óbvia consideração da ação política em todas a suas vertentes, a consideração e o respeito pelos direitos e interesses do grande número de funcionários afetados”.

“Será uma operação de grande envergadura com consequências decisivas para o futuro do Bloco que exige ser decidida pela Mesa Nacional”, defende.

De acordo com o relato do movimento Convergência, numa reunião da Comissão Política do final de fevereiro, “a maioria informou que o processo estava em andamento”, o que consideram tratar-se de “uma situação anómala e violadora dos estatutos”.

“Uma decisão que deverá ser tomada pela Mesa Nacional, nem na Comissão Política foi discutida, tendo sido o Secretariado a apropriar-se indevidamente em claro abuso de poder – que, como órgão executivo, nem sequer tem – de funções da Comissão Política, mas com a conivência fraudulenta desta com total desconhecimento dos membros eleitos pela moção E e N”, criticam.

Nessa mesma reunião, pode ler-se no mesmo comunicado, “a maioria da Comissão Política assumiu o relevante papel de informar os restantes membros das decisões do Secretariado que dela depende”.

“Perante tal situação os membros da moção E protestaram contra a violação dos estatutos e propuseram a suspensão do processo e a convocação de uma Mesa Nacional extraordinária para assumir as responsabilidades que lhe são inerentes”, refere, dando conta que esta proposta foi recusada “com a justificação do respeito pelos funcionários a despedir que não podiam ficar dependurados de demora na decisão”.

Depois da derrota nas legislativas, o BE vai discutir o seu rumo estratégico na IV Conferência Nacional, dia 30 de abril, em Lisboa, na qual podem participar todos os militantes “no pleno exercício dos seus direitos estatutários”.

Esta Conferência Nacional foi convocada pela Mesa Nacional do BE do início de fevereiro, que analisou os resultados eleitorais do partido nas legislativas antecipadas, nas quais falhou os seus objetivos, deixou de ser a terceira força política, perdeu metade dos votos e ficou reduzido a cinco deputados.

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