“Ajudaremos a organizar nos próximos dias apoio suplementar ao francês, a nível europeu”, declarou Macron, recebido no aeroporto internacional de Beirute pelo seu homólogo libanês, Michel Aoun.

A França já enviou equipas de socorro e medicamentos.

“Espero organizar a cooperação europeia e a nível mais vasto a cooperação internacional”, adiantou o presidente francês, o primeiro chefe de Estado estrangeiro a deslocar-se ao Líbano após as explosões de terça-feira, que destruíram partes da capital libanesa, causando pelo menos 137 mortos e 5.000 feridos.

As explosões, provocadas segundo as autoridades por 2.750 toneladas de nitrato de amónio armazenadas num armazém, arrasaram quase completamente o porto de Beirute, causando danos significativos na cidade.

Beirute foi declarada “zona de desastre” e foi decretado o estado de emergência por duas semanas na cidade. Dezenas de pessoas continuam desaparecidas.

Macron, que deverá encontrar-se com os principais dirigentes libaneses durante a sua visita de um dia, instou-os a empreender sem demora as reformas exigidas pela comunidade internacional.

“Hoje, a prioridade é a ajuda, o apoio à população sem condições. Mas existe o pedido que a França faz há meses, anos, de reformas indispensáveis nalguns setores”, adiantou o presidente francês, indicando nomeadamente o setor da eletricidade.

“Se estas reformas não forem feitas, o Líbano continuará a afundar-se”, alertou.

Macron indicou que queria ter “um diálogo de verdade” com os responsáveis libaneses. “Além da explosão, sabemos que a crise é grave, implica uma responsabilidade histórica dos dirigentes em funções”, adiantou.

O presidente francês e o seu homólogo deslocaram-se depois ao bairro cristão de Gemmayzé, um dos devastados pelas explosões e onde libaneses concentrados para a visita de Emmanuel Macron vaiaram Michel Aoun, pedindo a ajuda de França para expulsar os dirigentes no poder, segundo uma jornalista da agência France-Presse no local.

“Ajudem-nos! Revolução!”, gritou a multidão enfurecida, criticando o presidente Aoun e repetindo “o povo quer a queda do regime”.

Macron disse à multidão que ia propor um “novo pacto” político aos responsáveis do Líbano, nos encontros hoje à tarde, e que lhes ia pedir para “realizar reformas (…) mudar o sistema, parar a divisão do Líbano, combater a corrupção”.

A tragédia atingiu um país que vive uma crise económica séria – marcada por uma desvalorização sem precedentes da sua moeda, hiperinflação, despedimentos em massa -, agravada pela pandemia do novo coronavírus, que obrigou as autoridades a confinarem a população durante três meses.

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