Em comunicado publicado no sítio na Internet da diocese do Porto, Manuel Linda reflete sobre o “bárbaro assassinato da Irmã Maria Antónia”, alegadamente ocorrido a 08 de setembro, em São João da Madeira.

A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, deteve, a 08 de setembro, um toxicodependente pelo homicídio de uma freira de 61 anos, “fora de flagrante delito”, tendo, segundo a PJ, os factos ocorrido durante a manhã desse dia em São João da Madeira.

Segundo a PJ, o detido, após ter conseguido atrair a vítima até ao interior da sua habitação para lhe oferecer um café, por esta o ter transportado na sua viatura até ali, terá tentado ter com ela relações sexuais, o que foi recusado.

“Perseguindo a sua intenção, o detido recorreu à força física aplicando, ao que tudo indica, um golpe de estrangulamento denominado ‘mata-leão’, que terá sido a causa da morte, e posteriormente deitou-a sobre a cama e terá mantido relações sexuais”, descreve a polícia.

Dando conta da “repercussão internacional fora do comum” que o caso está a ter, o bispo atribui-o ao facto de a “Agência Fides, das Pontifícias Obras Missionárias, do Vaticano”, ter dado “a notícia de forma muito detalhada”.

Dividindo a sua reflexão em três pontos, começou por escrever que, “no mínimo, o martírio da ‘Irmã Tona’ tem muito de paralelo com tantas mulheres, de todas as idades, que, na defesa da sua honra e dignidade, acabaram por pagar com a vida a resistência ao agressor depravado”.

“Muitas foram mesmo declaradas beatas e santas. E este caso concreto obriga-nos a alguma reflexão social que sintetizo em três pontos”, argumentou.

Entendendo que, pelo comportamento, “há verdadeiros monstros”, o bispo afirmou desconhecer se tais atos ocorrem por “culpa própria, isto é, se agem em liberdade, ou se sem responsabilidade moral, no caso das patologias mais graves”.

Reivindicando que “a sociedade tem a obrigação de os curar” ou, “no mínimo, de proteger os mais vulneráveis da sua ação devastadora”, debruçando-se sobre o crime de São João da Madeira afirmou não saber “se as prisões são centros de recuperação ou escolas do crime requintado”.

No segundo ponto da reflexão, Manuel Linda considera que “o sistema judiciário falhou redondamente”.

“A dar crédito aos jornais, foi preciso duas tentativas (...) de violação, a juntar aos antecedentes criminais, para se emitir um mandado de captura do malfeitor. E a execução deste demorou tanto que, para a Irmã Antónia… já não foi a tempo”, descreveu o bispo, reclamando que “alguém tem de ser responsabilizado” por isso.

E continuou: “se é pouco previsível que o sistema judicial seja chamado à pedra, pelo menos moralmente algumas pessoas hão de sentir-se culpadas pelo homicídio da religiosa”.

Para Manuel Linda, “com honrosa exceção da Câmara Municipal de São João da Madeira, nenhum político, nenhum (e nenhuma…) deputado desses radicais, nenhum organismo que diz defender os direitos humanos, nenhuma feminista veio condenar o ato”.

Perante a evidência questiona e responde: “Nenhum e nenhuma! Porquê? Porventura porque, para elas (e para eles…) as vidas perdem valor se se tratar de pessoas afetas à igreja. Sumamente, se defenderem a sua honra”.

“Critérios… que, obviamente, não são os meus”, acrescenta.

O detido, desempregado, com 44 anos, está referenciado como toxicodependente e possui antecedentes criminais pela prática de crimes de tráfico de estupefacientes, violação e sequestro.

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