"Estou a renunciar para que os meus irmãos não sejam ameaçados. Lamento muito este golpe civil", afirmou. Morales demitiu-se depois de os chefes das Forças Armadas e da polícia da Bolívia terem exigido hoje que o Presidente abandonasse o cargo para que a estabilidade e a paz possam regressar ao país.

O chefe da instituição militar, Williams Kaliman, e o comandante da polícia boliviana, Yuri Calderón, leram declarações separadas, nas quais pediam a renúncia de Morales, que foi reeleito nas eleições de 20 de outubro para um quarto mandato, sob suspeitas de fraude eleitoral.

“Renuncio ao meu cargo de presidente para que [Carlos] Mesa e [Luis Fernando] Camacho não continuem a perseguir dirigentes sociais”, disse Morales num discurso televisivo, referindo-se a líderes opositores que convocaram protestos, desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro.

O líder do país sul-americano, eleito pela primeira vez em 2006 e continuamente no poder desde então, negou ter cometido qualquer irregularidade e recusou-se a demitir, mas foi forçado a convocar eleições depois das pressões, nacionais e internacionais.

Hoje, Evo Morales havia já convocado novas eleições após a Organização dos Estados Americanos (OEA) ter recomendado a repetição do ato eleitoral por suspeitas de irregularidades no dia 20 de outubro.

Dois ministros e o presidente da Assembleia Nacional, Victor Borda, tinham também já renunciado hoje aos seus cargos. Após as demissões no governo, também a presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Maria Eugenia Choque Quispe, apresentou a sua renúncia “irrevogável” para ser "investigada", na sequência do relatório da OEA.

O Ministério Público da Bolívia tinha anunciado hoje que vai processar os membros do Supremo Tribunal Eleitoral devido a irregularidades "muito graves" detetadas pela OEA, que podem levar a "erros criminais e eleitorais relacionados com o cálculo dos resultados oficiais" das eleições de 20 de outubro.

Os Estados Unidos e a União Europeia apoiaram hoje a convocação de novas eleições presidenciais na Bolívia.

O país é palco de protestos, paralisações e episódios violentos, que deixaram três mortos desde as eleições de 20 de outubro, nas quais Morales foi reeleito para um quarto mandato de cinco anos, e que a oposição denunciou como fraudulentas.

A oposição, fortalecida por um motim policial, exige há dias a renúncia do presidente.

Este anúncio é feito no mesmo dia em que o líder bolivariano denunciou que a casa da sua irmã na região de Oruro, no sul do país, foi incendiada por "grupos ilegais" no âmbito de um plano para derrubá-lo.

A Bolívia tem atravessado uma crise desde as eleições de 20 de outubro, após as quais o corpo eleitoral deu a vitória ao Presidente Evo Morales, pelo quarto mandato consecutivo até 2025, mas a oposição e os comités civis têm alegado fraudes, exigindo a renúncia de Morales e novas eleições.

*Com AFP e Lusa

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