Falando às televisões britânicas no final de uma reunião de emergência sobre o Afeganistão com os seus principais ministros e responsáveis da segurança, o dirigente indicou que o seu país tenciona “fazer pressão” para a via diplomática e política, mas exclui a hipótese de uma “solução militar”.

“O que devemos agora fazer não é virar costas ao Afeganistão, mas continuar, enquanto membros do Conselho de Segurança [da ONU] a trabalhar com os nossos parceiros para nos assegurarmos de que o Governo de Cabul não deixa o país voltar a ser terreno fértil para o terrorismo”, declarou Johnson.

“Vamos utilizar os nossos meios de pressão diplomática, política, o orçamento da ajuda internacional, para exercer mais pressão”, explicou, acrescentando: “A ideia de uma solução militar ou de combate não é a que devemos seguir neste momento”.

O líder do Governo britânico mostrou-se “extremamente orgulhoso” do papel desempenhado pelo Reino Unido nos últimos 20 anos no Afeganistão, de onde retirará nos próximos dias “a grande maioria” do seu pessoal diplomático, perante a intensificação da ofensiva talibã.

“Graças aos esforços das Forças Armadas do Reino Unido, a todos os sacrifícios que fizeram, não assistimos a ataques da Al-Qaida contra o Ocidente durante muito tempo”, afirmou Johnson numa entrevista à estação televisiva Sky News, após a reunião governamental de crise.

“Além disso, três milhões de meninas e mulheres jovens foram educadas no Afeganistão graças aos esforços do Reino Unido e das Forças Armadas britânicas”, acrescentou.

O avanço dos talibãs, que prossegue no Afeganistão, levou Londres a anunciar, na quinta-feira à noite, o envio nos próximos dias, de cerca de 600 militares para ajudarem à repatriação do pessoal da embaixada britânica em Cabul, dos cidadãos britânicos no país e dos afegãos que colaboraram com a missão do Reino Unido.

O primeiro-ministro sublinhou hoje que também será enviada uma equipa do Ministério do Interior para ajudar a tratar dos documentos necessários para que esse pessoal local possa viajar para as ilhas britânicas, e pediu a quem ajudou o Reino Unido no Afeganistão que “se apresente e se identifique” na sua representação diplomática.

“Podíamos ver que isto ia acontecer desde há algum tempo, pelo que tivemos de fazer preparativos para nos retirarmos. Chegou agora o momento”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de manter tropas no terreno no país daqui em diante, Johnson disse que “há que ser realista sobre a capacidade do Reino Unido ou de qualquer potência para impor uma solução militar”.

As forças talibãs controlam agora quase metade das 34 capitais provinciais afegãs, todas tomadas em apenas oito dias.

Inquirido sobre se os combates travados no Afeganistão nas últimas duas décadas foram “em vão”, Boris Johnson afirmou que partilha “a dor das famílias” das 457 “mulheres e homens das tropas britânicas que morreram no conflito”.

“Entendo como devem sentir-se neste momento [as suas famílias], mas devo dizer que não creio que tenha sido em vão, porque penso que, quando olhamos para trás, durante os últimos 20 anos, fez-se um esforço incrível para lidar com um problema particular”, afirmou.

“Todo o mundo recordará [o que ocorreu] após o 11 de Setembro (de 2001, atentado às Torres Gémeas e ao Pentágono)”, disse o chefe do executivo, considerando “um êxito” que “em grande medida a ameaça da Al-Qaida nas ruas da capital britânica e em todo o Reino Unido e Ocidente tenha sido amplamente reduzida”.

Hoje de manhã, o ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, criticou a decisão dos aliados norte-americanos de retirar as suas tropas do Afeganistão, seguida das forças da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte).

“Não foi nem o momento certo, nem a decisão certa a tomar, porque a Al-Qaida provavelmente regressará”, declarou à Sky News Ben Wallace, “preocupado” com aquilo que definiu como “uma ameaça para a nossa segurança e os nossos interesses”.

O ministro britânico criticou, em particular, o acordo de retirada inicial assinado em Doha, em fevereiro de 2020, entre o então Presidente norte-americano, Donald Trump, e os talibãs, considerando que se tratou de um “erro, cujas consequências vamos todos provavelmente pagar”.

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