Em declarações à imprensa no final de uma reunião extraordinária dos chefes de diplomacia da UE, na qual foi adotado um segundo pacote de sanções contra Moscovo pela agressão militar à Ucrânia, Santos Silva fez questão de “exprimir a solidariedade de Portugal para com as Nações Unidas e o secretário-geral das Nações Unidas, que tem sido nas últimas horas vítima de um ataque pessoal absolutamente infundado e obsceno da parte das campanhas de desinformação orquestradas a partir da Rússia”.

Também o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, que preside aos Conselhos de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, abordou a questão na conferência de imprensa final, depois de anunciar a inclusão na lista de sanções da UE do próprio presidente russo, Vladimir Putin, e do chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov.

“Putin lançou uma guerra contra um vizinho durante uma sessão de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Ucrânia. Mostra o respeito que a Rússia tem por esta instituição. E agora estão a atacar verbalmente até o secretário-geral!”, exclamou Borrell.

O chefe da diplomacia europeia, em tom indignado, reforçou que “o secretário-geral das Nações Unidas está a ser atacado pela Rússia por falar em favor da paz e do respeito das regras internacionais”.

Na passada quarta-feira, Lavrov acusou António Guterres, de ter sucumbido à pressão do Ocidente ao fazer declarações sobre a situação na Ucrânia que “não estão de acordo com o seu estatuto” de secretário-geral das Nações Unidas.

Santos Silva saudou também “a decisão hoje mesmo tomada no Conselho da Europa de suspender a Rússia imediatamente de todas as atividades do Conselho da Europa, porque é o organismo criado na Europa para promover a democracia, os direitos humanos e o Estado de direito, e, portanto, uma Rússia agressora, uma Rússia que ignora tão ostensivamente as regras mínimas de comportamento civilizado entre nações não tem lugar no Conselho da Europa”.

O ministro português comentou que o esforço político em curso para isolar internacionalmente a Rússia, designadamente ao nível da assembleia geral das Nações Unidas, é “muito, mas mesmo muito importante”, mas acrescentou que “as sanções económicas que doem”, como aquelas hoje adotadas pelos 27, “são também muito importantes, porque, manifestamente, o presidente Putin só parece compreender a linguagem da força”.

As tensões entre o Ocidente e a Rússia agudizaram-se depois de, na passada quinta-feira de madrugada, a Rússia ter lançado uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocaram pelo menos mais de 120 mortos, incluindo civis, e centenas de feridos, em território ucraniano, segundo Kiev. A ONU deu conta de 100.000 deslocados no primeiro dia de combates.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa “desmilitarizar e desnazificar” o seu vizinho e que era a única maneira de o país se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário, dependendo de seus “resultados” e “relevância”.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia e Conselho de Segurança da ONU, tendo sido aprovadas sanções em massa contra a Rússia.

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