“Penso que seria uma cobardia não ser candidato”, sustentou o chefe de Estado brasileiro, que este mês admitiu pela primeira vez a possibilidade de entrar na corrida eleitoral.

Desde que assumiu a Presidência do Brasil, em maio de 2016, para substituir a destituída Dilma Rousseff, de quem era vice-presidente, Temer afirmava que não pretendia tentar a reeleição e que a sua intenção era deixar a quem lhe sucedesse um país com as contas públicas equilibradas e preparado para crescer de forma sustentável durante vários anos.

No entanto, o líder do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foi suavizando o discurso nas últimas semanas e, “de há um mês e meio para cá”, deixou em aberto a sua candidatura à reeleição.

“Ao princípio, pensávamos que alguém do Governo seria candidato, com essa missão de defender o Governo. Agora, se ninguém vai defender o Governo, dar continuidade ao que fizemos, eu mesmo o faço”, asseverou.

Temer considera que o seu Governo conseguiu “recuperar um país que estava literalmente quebrado” e sublinhou que precisa de mostrar “o que está a ser feito”.

A confirmar-se a sua candidatura, Michel Temer entrará na corrida eleitoral com um reduzidíssimo nível de popularidade, que ele justifica com o facto de “não ter adotado nenhuma medida populista” durante o seu Governo.

As eleições presidenciais contam, neste momento, com 15 pré-candidatos, mas todas as sondagens atribuem uma larga vantagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), apesar de este ter sido condenado por um tribunal de segunda instância a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, embora aguarde ainda a decisão do seu último recurso dessa sentença.

“Hoje, Lula lidera as sondagens, mas as sondagens abarcam cerca de 40% do eleitorado. Lula tem 20%. Ele tem 20% de 40%. O resto do eleitorado ainda não se decidiu”, argumentou.

Temer reconheceu que Lula “tem prestígio” e “tem votos”, mas recordou que se o recurso for indeferido e se mantiver a sua condenação em segunda instância, ele poderá ficar politicamente incapacitado de se candidatar às eleições de 07 de outubro.

Na entrevista, o Presidente voltou a rejeitar as acusações de corrupção de que foi alvo e negou ter recebido subornos de uma empresa portuária em troca da assinatura de um decreto que a beneficiava, um caso pelo qual está a ser investigado.

“Tentaram derrubar-me três vezes, esta é a terceira onda de acusações”, frisou.

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