"Eu tive oportunidade de reunir-me com a primeira-ministra britânica, e ela teve oportunidade de enunciar genericamente aquilo que só explicitará na segunda-feira (…) Hoje, sem conhecer os pormenores, obviamente é prematuro fazer qualquer avaliação, porque muitas vezes, como sabemos, o diabo está mesmo nos pormenores”, declarou hoje António Costa.

O líder do Governo falava numa conferência de imprensa no final de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, durante a qual May expôs aos seus parceiros os traços gerais da proposta que Londres apresentará na próxima segunda-feira sobre os direitos dos cidadãos europeus pós-‘Brexit, e que a generalidade dos líderes europeus considerou dececionante.

“Acho que é prematuro [comentar] antes de haver a explicitação daquilo que é a proposta do Reino Unido”, reforçou Costa, que fez questão em “recordar que o que está combinado entre os 27 é que quem negoceia em nome de todos é o senhor Michel Barnier, portanto não haverá negociações bilaterais relativamente ao Reino Unido, e isso passa designadamente por cada Estado não andar a multiplicar a sua avaliação individual das propostas do Reino Unido”.

Segundo Costa, “o que a senhora May enunciou foi uma visão geral e uma vontade de contribuir para rapidamente estabilizar a expectativa dos cidadãos europeus residentes no Reino Unido e dos cidadãos britânicos residentes na UE”, mas só na segunda-feira Londres “explicitará os termos da proposta” e seguir-se-á a negociação.

Também no final da cimeira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que a sua primeira impressão é que a proposta de Londres deixa muito a desejar, havendo “o risco de se agravar a situação” dos cidadãos da União Europeia que vivem no Reino Unido, podendo “estes verem os seus direitos diminuídos”.

“Compete à equipa de negociadores analisar detalhadamente a proposta, assim que a recebermos em papel”, salientou Tusk.

Também o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, reforçou esta posição afirmando que não compete ao Conselho Europeu negociar com Londres, sublinhando que “as negociações são com equipas” lideradas por Michel Barnier, pela Comissão, e David Davis, pelo Governo britânico.

O referendo que ditou a saída do Reino Unido do bloco europeu teve lugar faz hoje um ano.

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