Stephen Barclay esteve na quinta-feira em Madrid e previa deslocar-se a Lisboa hoje, mas viajou para Bruxelas, onde se reuniu com o chefe da equipa de negociadores da União Europeia (UE) para o ‘Brexit’, Michel Barnier, sobre as “propostas escritas” enviadas na quinta-feira pelo Governo de Londres.

“Nós [Estados-membros] somos informados, ao nível dos nossos embaixadores e dos nossos serviços, em permanência sobre a evolução das negociações”, disse Santos Silva à Lusa à margem do lançamento oficial das comemorações do V Centenário da Viagem de Circum-Navegação em Lisboa.

Questionado sobre se as negociações conhecem “um impulso” ou “um ‘momentum’”, como afirmou em Bruxelas o ministro britânico, Santos Silva escusou-se a qualificá-las, frisando que “estão a decorrer” e que se deve “respeitar o clima negocial”.

Na sequência do cancelamento da visita a Lisboa, Stephen Barclay telefonou hoje a Augusto Santos Silva, tendo afirmado “que do ponto de vista dele havia avanços” e “que podia haver avanços no sentido de um acordo até ao fim do prazo”, a data prevista para a saída do Reino Unido da UE, 31 de outubro.

O ministro precisou que Barclay lhe transmitiu “uma orientação genérica” sobre eventuais alternativas ao ‘backstop’, o mecanismo de salvaguarda para evitar uma fronteira na Irlanda, exigido pela EU e que constitui a principal objeção do Reino Unido ao acordo de saída, mas que “naturalmente” não entraram “em questões técnicas”.

“Exprimi aquela que é a posição de sempre de Portugal: somos a favor de uma solução que permita uma saída do Reino Unido com acordo e parece-nos que o cenário de desacordo terá efeitos muito negativos”, relatou.

“E também exprimi ao meu colega a nossa posição segundo a qual não somos inflexíveis sobre o 'backstop'. Entendemos que é necessário evitar uma fronteira física entre as Irlandas, que é preciso a todo o custo manter o Acordo de Sexta-Feira Santa, e preservar a integridade do mercado único europeu. Se os britânicos encontrarem uma solução tecnicamente melhor, estamos sempre disponíveis para ouvi-la”, afirmou.

Santos Silva disse também que insistiu com Barclay “em reiterar as garantias que [Portugal dá] aos cidadãos britânicos residentes” no país e que “iguais garantias” recebeu “relativamente aos portugueses residentes no Reino Unido”, reiterando que o processo de registo exigido decorre até ao final de 2020, com ou sem acordo de saída.

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