“Há uma escassez real” de recursos humanos, nomeadamente na indústria, disse hoje Gonçalo Lobo Xavier, membro da comissão executiva da Portugal IN, durante uma audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, realizada a pedido do PSD.

A questão dos recursos humanos vai colocar-se “para quem quer investir em Portugal e vem à procura de uma mão-de-obra qualificada para níveis médios, intermédios e também em áreas mais acima”, avisou o responsável, considerando que este problema “vai por uma pressão no próprio mercado de trabalho, com consequências para todas as outras empresas nacionais” e que “urge resolver”.

“Também aqui a estrutura de missão tem de trabalhar no sentido de facilitar a vinda de recursos humanos estrangeiros para Portugal”, disse Lobo Xavier, que comentou que o país “pode não ser tão atrativo do ponto de vista salarial como outros países, mas tem uma combinação de qualidade de vida e de custos associados que é fator decisivo”.

Em resposta ao deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares sobre medidas fiscais que possam atrair empresas para Portugal, lembrando que vários países da UE têm IRC inferiores, o mesmo responsável da comissão executiva comentou que “nem sempre a questão fiscal é primordial”, apesar de reconhecer que a fiscalidade “claramente não é muito amigável para os empresários”.

Lobo Xavier deu o exemplo da “fiscalidade amiga do empresário estrangeiro que se reforma no seu país de origem e vem investir” e que “é extremamente interessante e tem sido utilizada”.

Quanto à burocracia, o responsável considerou que “o que hoje em dia Portugal oferece já é bastante atrativo, mas ainda há constrangimentos do ponto de vista do licenciamento e dos contactos com autarquias”.

Durante a audição, o responsável da estrutura de missão, Bernardo Trindade, sublinhou as vantagens de Portugal para captar investimento de empresas instaladas no Reino Unido e que queiram sair no contexto da saída da União Europeia.

“Temos o mesmo fuso horário [do Reino Unido], a população fala, na sua generalidade, bem o inglês, temos uma boa capacidade de acolher bem, e temos a circunstância de podermos olhar para este enorme espaço que é a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP] e poder agregar mercado, um espalo económico muito grande e que pode ser motivo de grande interesse”, comentou.

O presidente da comissão executiva da Portugal IN apresentou aos deputados as 16 medidas desenvolvidas pela estrutura, como a realização de missões de captação de investimento direto estrangeiro no Reino Unido, contactos com confederações e embaixadores dos principais países de empresas com potencial de deslocalização, campanhas de promoção de Portugal ou propor medidas de simplificação para a atribuição de vistos e de autorizações de residência.

Pelo PSD, Rubina Berardo questionou o responsável sobre se existe algum estudo sobre o impacto económico do ‘Brexit’ para Portugal, com Bernardo Trindade a responder que este trabalho está a ser feito a pedido do gabinete do primeiro-ministro, António Costa, e a estrutura de missão já deu os seus contributos.

À pergunta da deputada social-democrata sobre se a Portugal IN apresentou os relatórios semestrais ao Governo em outubro de 2017 e em abril de 2018, conforme previsto aquando da criação desta estrutura, Bernardo Trindade indicou que foi entregue ao executivo um relatório de atividades “até antes do que estava definido”.

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