Para o presidente do PS, a saída do Reino Unido da União Europeia representa "um cartão amarelo" à Europa. Carlos César defende a urgência na adoção de reformas contra o crescimento de populismos autoritários na Europa.

Estes avisos foram deixados por Carlos César no discurso de encerramento das Jornadas Parlamentares do PS, que decorreram em Portimão.

Na sua intervenção, o líder da bancada socialista referiu-se ao acordo hoje alcançado entre os Estados-membros para a saída do Reino Unido da União Europeia, dizendo que este processo foi "complexo" e gerador de "perplexidades".

"Considerando embora o distanciamento tradicional e histórico do Reino Unidos em relação ao projeto europeu, saliento, no entanto, que a situação que vivemos é um sinal amarelo para a União Europeia e não é motivo de satisfação".

"É um motivo de interrogação sobre este projeto" completou.

De acordo com o presidente do PS, "não se pode ignorar que hoje o populismo autoritário e eurocético é atualmente a terceira força mais poderosa no contexto eleitoral europeu".

"Na reflexão que se impõe fazer, temos de nos interrogar sobre situações tão diversas como a legitimidade das decisões e modelos de decisão da União Europeia", sustentou.

Ainda de acordo com Carlos César, é preciso uma reflexão "sobre o espaço cada vez mais exíguo que, por força da globalização, é dado às identidades regionais ou nacionais".

"Temos de nos interrogar sobre em quanto contribui a crise do Estado social europeu para a fragilização deste projeto europeu. Temos de ter em consideração as desigualdades entre pessoas e territórios", acrescentou.

Brexit “não ajuda nada no desenvolvimento da Europa”

O presidente do PSD reconheceu hoje que o acordo validado pelo Conselho Europeu para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) "não ajuda nada no desenvolvimento da Europa e no aprofundamento da unidade europeia".

"A Europa, como todos nós sabemos, tem uma série de problemas, seja no diálogo norte-sul, seja no diálogo leste-oeste, por diversas razões, e o ‘Brexit', naturalmente, não ajuda nada no desenvolvimento da Europa e no aprofundamento da unidade europeia", disse Rui Rio aos jornalistas, na Guarda, à margem da sessão de encerramento da V Academia do Poder Local dos Autarcas Social-Democratas (ASD).

No entanto, o líder nacional do PSD admitiu que "a partir do referendo inglês, se não houvesse acordo era muito pior".

Portanto, acrescentou, "dentro daquilo que era mau, isto é um primeiro passo menos mau".

"Falta agora o segundo passo, ver como é que é depois, propriamente no Reino Unido e no Parlamento inglês. Mas, no lado da União Europeia foi feito aquilo que é possível fazer. Vamos ver agora o que é que faz o Parlamento Inglês", afirmou Rui Rio aos jornalistas.

O presidente do PSD considerou ainda que "quem devia estar preocupado com as consequências é o próprio Reino Unido", mas ao mesmo tempo reconheceu que o acordo "salvaguardará os princípios fundamentais" relativamente a Portugal.

O Reino Unido é o primeiro país a sair do bloco comunitário desde a sua fundação, instituída pelo Tratado de Roma em 1957, tendo sido também o primeiro a juntar-se aos seis fundadores, em 1973.

O acordo de saída, negociado durante 21 meses entre Londres e Bruxelas, deve ainda ser ratificado pelo Parlamento Europeu e, sobretudo, pelo Parlamento britânico - os deputados, que deverão votar o acordo em dezembro estão maioritariamente contra - antes de entrar em vigor em 30 de março de 2019, um dia depois da saída do Reino Unido da UE.

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