Conta a Reuters que, no meio dos protestos em Portland, que se chegam a tornar violentos, surge Caesar, um lama de seis anos de caráter amigável — o que não é frequente na espécie. Segundo o seu proprietário, Larry McCool, o animal é um "pacificador natural".

Caesar pode não falar, mas sabe mais do que se pensa, disse McCool. E isso ficou claro a 9 de junho, quando cerca de 5.000 pessoas se deitaram ou se ajoelharam na ponte perto do centro de Portland, durante quase nove minutos de silêncio em homenagem a George Floyd, um negro que morreu em 25 de maio, depois de ter sido pressionado no pescoço durante cerca de oito minutos por um polícia branco de Minneapolis.

"Caesar ficou ali, imóvel. Ele entendeu o momento. Entendeu a importância do que estávamos a fazer", disse McCool, que frisou que o lama "não se moveu um centímetro durante todo esse tempo".

Durante os protestos, é frequente ver pessoas abraçadas ao animal e até a tirar selfies — tanto manifestantes como a polícia. É, por isso, um lama de terapia, já conhecido como "No Drama Llama".

"Por mais intenso que seja o público, tanto os manifestantes como os agentes federais e os fiscais... ele pode neutralizar isso. Esse é todo o seu propósito", garante o dono.

De acordo com o The Washington Post, o lama, que é um campeão argentino aposentado, é considerado um "lama ativista" cujo maior talento é oferecer abraços de apoio emocional — e as pessoas fazem fila para chegarem até ao seu pescoço branco peludo.

Até ao momento, Caesar e McCool participaram em mais de 10 protestos do movimento 'Black Lives Matter' no Oregon e, nos últimos anos, participaram em mais de 50 marchas de apoio a várias outras causas civis e ambientais.

Trump mantém agentes federais até Portland ficar sem “anarquistas e agitadores”

No início de agosto, Donald Trump informou que os agentes federais destacados para conterem os distúrbios das manifestações de protesto vão permanecer em Portland até que a polícia local elimine “anarquistas e agitadores”.

“A Segurança Nacional não abandonará Portland até que a polícia local complete a limpeza de anarquistas e agitadores!”, escreveu Donald Trump na rede social Twitter.

Perante uma escalada de violência em algumas cidades norte-americanas afetadas pelas manifestações antirracistas e contra a violência policial, o Governo dos Estados Unidos decidiu enviar agentes federais, muitas vezes sem farda, para conter os distúrbios, apesar dos protestos das autoridades locais que criticaram a ingerência de Washington.

À semelhança dos últimos dois meses, centenas de manifestantes continuavam nas ruas do centro daquela cidade, mas sem agentes federais visíveis.

A mobilização tem vindo a enfraquecer, mas alguns grupos contestatários persistiram, sobretudo em Portland, motivando Donald Trump a enviar equipas de intervenção federal para conter as manifestações contra o racismo e a violência policial que se prolongam há semanas.

Essa decisão acabou por endurecer a contestação numa cidade marcada por uma longa história de protestos, até porque circularam nas redes sociais vídeos que mostravam agentes federais com uniformes de combate a deterem pessoas que protestavam nas ruas, em alguns casos sem se identificarem e usando veículos sem registo oficial.

O tema adquiriu relevância política a poucos meses das eleições presidenciais nos EUA, marcadas para 3 de novembro, entre o atual Presidente e candidato republicano Donald Trump, que promete reforçar a segurança urbana, e o concorrente democrata Joe Biden, crítico de um “estado policial” criado contra a vontade das autoridades locais.

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