O executivo liderado por Carlos Coutinho (CDU) indicou, em resposta escrita à Lusa, que, na sequência da tomada de posição do comandante dos Bombeiros Voluntários de Samora Correia, e comandante municipal da Proteção Civil, Miguel Cardia, solicitou ao projetista da intervenção que se pronunciasse sobre as questões levantadas, admitindo proceder a correções após parecer da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Esta semana, a Associação Social Amigos de Samora Correia (ASASC), no concelho de Benavente (Santarém), exigiu ao município “explicações sobre os riscos que correm dezenas de famílias que vivem na Torre do Arneiro dos Corvos”, prédio com 13 pisos situado em Samora Correia, na sequência das obras de requalificação do espaço público circundante.

Pedindo uma atuação “imediata” no sentido de garantir “o integral cumprimento das condições de segurança contra incêndios em edifícios”, a ASASC referia, em comunicado, um ‘email’ de Miguel Cardia ao presidente do município, no qual o comandante afirmava que, em caso de incêndio na torre, apenas seria possível “operar para salvamentos em cerca de 50% da fachada principal e lateral esquerda, até ao 5.º piso, estando as demais inacessíveis”.

“Um incêndio no 6.º piso seria uma tragédia anunciada que urge prevenir. O edifício da torre construído há cerca de 40 anos, tem 12 pisos de habitação, um piso de comércio e uma cave onde funciona um supermercado que recebe dezenas de pessoas diariamente”, lia-se no comunicado da associação.

Na resposta à Lusa, o município referiu que a obra realizada no Parque Ruy Gomes, que é contíguo ao edifício da Torre do Arneiro, envolvia a requalificação da envolvente do prédio, não tendo existido, globalmente, “grandes alterações, tendo-se mantido próximo do que já existia, apenas renovado”, salientando que o técnico responsável pelo projeto atestou que respeitava a legislação em vigor.

Além disso, acrescentou o município, as árvores plantadas junto à superfície comercial, sendo ainda de pequeno porte, podem, nesta fase, ser facilmente removidas para permitir uma eventual missão de socorro e que, na sequência da avaliação que a ANEPC fizer da solução apresentada pelo projetista, tomará “as medidas necessárias”.

O município adiantou ainda que, entretanto, já instalou novos marcos de água na zona.

No comunicado, a ASASC referia que os dois reservatórios existentes no terraço do 13.º piso da torre “estão secos e a bomba que poderia colocar a água a cair por gravidade não tem tido manutenção e está obsoleta”, salientando que, embora se trate de um equipamento da responsabilidade do condomínio, se impõe uma intervenção imediata da proteção civil por estar em causa a segurança de pessoas e bens.