Falando aos jornalistas antes de uma viagem de elétrico entre Alcântara e a Praça do Município, a sede da autarquia da capital, António Costa valorizou o "momento simbólico em que a Carris volta ao município de Lisboa" e sublinhou que, no que respeita às dúvidas dos comunistas nesta matéria, estas não colocam em causa a operação.

"O PCP já ontem [terça-feira] esclareceu que a iniciativa que tem [apreciação parlamentar] não coloca em causa esta transferência da propriedade nem a vigência do decreto de lei. Porventura, deseja ter algum aperfeiçoamento mas não põe em causa esta transferência, e isso é o essencial e a transferência está hoje consumada, está feita. Boas notícias, vamos a isto", declarou o chefe do Governo.

A acompanhar o trajeto do primeiro-ministro estiveram responsáveis da Carris e da autarquia de Lisboa, entre os quais o presidente da Câmara, Fernando Medina, e os vereadores Duarte Cordeiro e Manuel Salgado.

Para o primeiro-ministro, "a valorização da Carris é fundamental para a promoção do novo paradigma de circulação nos meios urbanos", menos dependente do transporte individual e mais do transporte público.

É, portanto, "fundamental" que quem governe as cidades "gira a rede de transportes", o que trará, advogou Costa, "maior qualidade" de serviço.

"Esta era uma das opções fundamentais do Programa de Governo, na prioridade que deu à descentralização", prosseguiu o governante.

A Câmara de Lisboa assume hoje a gestão da rodoviária Carris, 41 anos depois de a "ter perdido" para o Estado, num processo inde, depois de o PCP ter pedido a sua apreciação parlamentar.

Por discordar da decisão governamental, o PCP entregou na sexta-feira na Assembleia da República um pedido de apreciação parlamentar do diploma que transfere a Carris para o município, acompanhado de propostas de alteração ao decreto do Governo.

A dívida da empresa irá manter-se na esfera do Estado.

[Notícia atualizada às 11h19]

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