"O desconfinamento só será bem sucedido sem avanços e recuos se for acompanhado por uma estratégia massiva de testagem e por um controlo sanitário ao nível do reforço das equipas dos rastreadores", defendeu Francisco Rodrigues dos Santos.

O presidente do CDS-PP falava aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, no final de uma reunião com o Fórum para a Competitividade, tendo sido questionado sobre o plano de desconfinamento apresentado pelo Governo na quinta-feira.

"Parece-me evidente que sem uma estratégia de testagem massificada, que ainda não sabemos se está implementada, porque o Governo do pé para o mão disse que ia abrir a nossa economia gradualmente e nomeadamente as escolas, e sem reforço das equipas de rastreadores, estamos a criar uma ilusão aos portugueses de que vão poder desconfinar mas não o farão em segurança", salientou.

Na ótica de Francisco Rodrigues dos Santos, se o desconfinamento não acontecer "em termos verdadeiramente controlados do ponto de vista sanitário, o país vai andar aos avanços e aos recuos, o que significará uma vez mais a falta de planeamento e de previsão que mais tarde terá uma fatura e uma consequência que é provavelmente teremos que voltar a confinar se estas situações não forem devidamente acauteladas".

"É importante perceber se o Governo, na altura em que está a planear o desconfinamento, prevê a implementação massiva desta estratégia de testagem porque se não formos capazes de o fazer, testando o maior número de portugueses possível, vamos ser incapazes de identificar aqueles que estão infetados, vamos ser incapazes de travar as cadeias de contágio e daqui a um tempo vai ter novamente de utilizar uma bomba atómica que serão os confinamentos, porque o Governo foi incapaz de prever e de planear", insistiu o líder centrista, apontando que o número de testes realizados tem "vindo a descer".

O CDS também quer saber "quantos novos rastreadores tem neste momento o país", salientando que o CDS tem pedido e o Governo tem prometido "reforçar estas equipas de rastreadores de saúde pública" mas continua-se "a demorar em média seis dias a contactar todas as pessoas que estiveram em contacto com os infetados, e 80% dos infetados não sabem como é que contraíram a doença".

Francisco Rodrigues dos Santos questionou também se as escolas estão preparadas "para testar massivamente" a comunidade escolar, como foi anunciado, e insistiu que é necessário um "controlo sanitário nas fronteiras", para "impedir a entrada daqueles que estão infetados".

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou na quinta-feira o plano de desconfinamento, que disse ser “a conta-gotas".

Hoje reabriram creches, ensino pré-escolar, escolas do primeiro ciclo de ensino e as atividades de tempos livres (ATL) para as mesmas idades, bem como o comércio ao postigo e estabelecimentos de estética como cabeleireiros.

O plano prevê novas fases de reabertura a 05 e 19 de abril e a 03 de maio, mas as medidas podem ser revistas sempre que Portugal ultrapassar os "120 novos casos por dia por 100 mil habitantes a 14 dias" ou que o índice de transmissibilidade (Rt) do vírus SARS-CoV-2 ultrapasse 1.

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