Discursando em Ondjiva, capital da província do Cunene (sul), onde decorre o ato central da celebração da independência, obtida a 11 de novembro de 1975, Manuel Nunes Júnior realçou a “esperança” no desenvolvimento do país, uma vez que as reformas vão permitir atrair mais investimento estrangeiro.

O ministro, que presidiu ao ato central das comemorações em representação do Presidente angolano, João Lourenço, destacou também o lema da efeméride – “Unidos na Construção de uma Angola Melhor” -, para lembrar o que o chefe de Estado tem defendido desde que assumiu o poder, em setembro de 2017: “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.

“Hoje, vive-se um outro paradigma para os angolanos e estrangeiros que queiram investir no país, uma vez que é difícil empregar recursos numa nação em que não se tem a certeza se a lei é aplicada de maneira igual para todos”, salientou.

Manuel Nunes Júnior lembrou também o processo histórico que conduziu à independência nacional, iniciado a 04 de fevereiro de 1961, com o “começo da luta de libertação nacional” contra o poder colonial português (até 1975), e culminou, após 17 anos de guerra civil, em 2002.

“Em todas estas fases, muitos filhos de Angola se notabilizaram com a sua missão estratégica, inteligência e bravura que mereceram a justa homenagem com a condecoração [este sábado], pelo Presidente da República, de vários angolanos, independentemente da sua cor política e ideológica”, realçou.

Hoje, também o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde a independência), num comunicado, saudou, “com júbilo”, o povo angolano e rendeu uma “profunda homenagem a todos os heróis da pátria”, com destaque para o primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, que proclamou a independência.

No documento, o MPLA presta também um “tributo especial” ao “arquiteto da paz”, o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, “de quem o povo angolano guardará para sempre na sua memória a imagem do estadista que, entre outros feitos, trouxe a tão almejada paz definitiva para Angola, o perdão e a reconciliação entre irmãos, outrora desavindos”.

Por outro lado, o MPLA considera que Angola está a viver uma “fase bastante desafiante”, caracterizada pela “competição política e económica”, em que, na primeira, os diferentes partidos políticos têm disputado entre si o controlo do poder político, por via de eleições regulares e, na segunda, que dá a oportunidade aos cidadãos de tirarem o maior proveito dos seus talentos e contribuírem para o seu bem-estar pessoal e para a felicidade de toda a Nação.

“O MPLA está convicto de que, com o atual processo de implementação da reforma do Estado, Angola conhecerá uma mudança radical na aplicação dos meios financeiros atribuídos aos municípios, com a sua utilização em projectos socioeconómicos”, lê-se.

Enaltecendo a “transição pacífica” de poder de Eduardo dos Santos para João Lourenço, o partido elogiou a ação governativa do chefe de Estado angolano, recorrendo às palavras proferidas no discurso sobre o Estado da Nação: “Semeámos a confiança num futuro promissor, almejando começar a colher os frutos da moralização da sociedade, da responsabilização dos agentes públicos e da diversificação da nossa economia, nos anos que se seguem”.

Entre a oposição, o “histórico” político angolano Justino Pinto de Andrade, antigo dirigente do MPLA e atualmente deputado da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), considerou que o “11 de novembro” é “uma conquista de todos os angolanos”, lembrando que foram muitos os sacrifícios.

“O ’11 de novembro’ é uma conquista de todos os angolanos, pelo menos dos que estiveram empenhados nesta conquista, consentindo sacrifícios de vária ordem. Convivi com muitos, por exemplo, nas cadeias. E nem todos eram do MPLA”, realçou.

Na altura da proclamação da independência, lembrou, sentiu uma “grande alegria” por ver alcançado “um dos grandes objetivos”, admitindo, porém, “frustração” pelo modo como foi proclamada “sobre o sangue de angolanos, muitos deles inocentes”.

O “histórico” político angolano, disse esperar agora que os novos dirigentes do país “tenham percebido que a História não deve ser escrita a lápis”.

“O tempo cumpre cabalmente o seu papel, o papel de apagar as mentiras e falsidades”, disse, admitindo que a História de Angola pós-independência está ainda por contar.

A mesma frase foi avançada por um outro dirigente histórico angolano, Paulo Lukamba “Gato”, quadro da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido da oposição angolana), que defendeu que, 43 anos passados sobre a independência, é necessário esclarecer, entender e reconciliar” os angolanos com o passado e fazer-se dele “um cajado para os passos subsequentes da caminhada”.

Lukamba “Gato” admitiu que João Lourenço deu já “o primeiro passo”, ao falar abertamente de figuras que fizeram história no MPLA.

“O Presidente da República deu já um passo importante nesse sentido, ao destapar o véu que estava a escamotear a história do próprio partido da situação. Hoje já se fala abertamente de figuras como Ilídio Machado, Mário Pinto de Andrade, Daniel Chipenda, Gentil Viana, Viriato da Cruz e outras que fizeram a história do MPLA”, realçou.

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