Numa mensagem-vídeo divulgada antes de uma nova reunião de ministros das Finanças da zona euro para discutir, por teleconferência, medidas suplementares de resposta aos impactos da pandemia, Mário Centeno defendeu que as instituições europeias estão a “agir rapidamente” para responder à “profunda disrupção económica” causada pelo novo coronavírus, e asseverou que não ficarão por aqui, apontando que o Eurogrupo discutirá hoje medidas suplementares para aumentar o “poder de fogo” da zona euro.

“Em apenas uma semana, as nossas medidas orçamentais para apoiar as economias da zona euro praticamente duplicaram em dimensão”, sublinhou, acrescentando que tais medidas acrescem a “todos os estabilizadores automáticos, que são muito poderosos” nos modelos económicos e sociais europeus.

Lembrando a suspensão das regras orçamentais inscritas no Pacto de Estabilidade e Crescimento, proposta pela Comissão Europeia e acordada pelos ministros das Finanças dos 27 (Conselho Ecofin), bem como a “ação excecional” do Banco Central Europeu (BCE), com o lançamento de um programa de compra de ativos no montante de 750 mil milhões de euros, o ministro das Finanças português apontou que “tudo isto não tem precedentes, e mais vem a caminho”.

“Instituições como o Mecanismo Europeu de Estabilidade, Comissão Europeia e também o Banco Europeu de Investimento estão a explorar formas de aumentar o nosso ‘poder de fogo’ de resposta a crises. Todos estes esforços institucionais são complementares e coordenados. O nosso objetivo é adicionar novas linhas de defesa ao euro, para evitar que esta crise económica se transforme numa crise financeira”, declarou.

Centeno apontou que “é isto que estará hoje sobre a mesa do Eurogrupo” e disse ser seu objetivo reportar “soluções” aos líderes europeus na cimeira (por videoconferência) agendada para a próxima quinta-feira, sem descartar nenhumas opções.

Um dos assuntos que deverá hoje ser abordado pelos ministros das Finanças da área do euro é a questão a mutualização da dívida, sendo cada vez mais as vozes a defender a emissão de obrigações pan-europeias, ou ‘coronabonds’, para amortecer o brutal impacto socioeconómico do novo coronavírus.

Impensável há algumas semanas, a eventual emissão comum de dívida europeia, que foi liminarmente rejeitada mesmo no auge da crise das dívidas soberanas na zona euro, em 2012 — então a solução era apresentada como ‘eurobonds’ –, é hoje a resposta que muitos economistas e líderes políticos advogam para evitar uma nova crise de grandes dimensões no espaço da moeda única, agora com a novidade de ser equacionada até por países como a Alemanha, o grande opositor à ideia há oito anos.

Hoje mesmo, também o primeiro-ministro, António Costa, defendeu durante um debate na Assembleia da República que seria um sinal político “fortíssimo” a emissão de ‘eurobonds’, considerando urgente a disponibilização imediata de “dinheiro novo” da União Europeia para financiar a resposta dos Estados-membros à pandemia de covid-19.

A reunião de hoje do Eurogrupo tem início às 17:30 de Lisboa.

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