"As mulheres receberam em 2016 menos 21,3% que os homens, em termos de ganho médio mensal, o que equivale a trabalhar 77 dias sem remuneração por ano, o que é inaceitável", disse à agência Lusa a dirigente da CGTP Fátima Messias.

Segundo Fátima Messias, que é responsável na CGTP pela área da Igualdade, as mulheres, apesar de serem claramente maioritárias no grupo de escolaridade superior, continuam a ser marginalizadas nos cargos de direção".

Em 2016, apenas 36,8% dos quadros superiores da Administração Pública, dirigentes e quadros superiores de empresas eram mulheres e a maioria dos trabalhadores a receber o salário mínimo nacional também era do sexo feminino.

A igualdade salarial, os direitos de maternidade e de paternidade, a conciliação entre o trabalho e a vida familiar e pessoal, as doenças profissionais, o assédio no trabalho e a precariedade são os temas da Semana da Igualdade, que a Intersindical iniciou hoje.

"São seis temas para cinco dias, com ações em todo o país, para defender salários e direitos laborais iguais para homens e mulheres", disse Fátima Messias.

Segundo a sindicalista, que citou dados da Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens (CITE), em 2016 foram avaliados 688 processos, 84,58% dos quais respeitantes à recusa patronal de conceder horários flexíveis a 484 mães trabalhadoras e a 70 pais trabalhadores com filhos menores de 12 anos de idade.

"Estes números não devem estar desligados do assédio moral/terrorismo psicológico que existe no setor privado e que leva as trabalhadoras e trabalhadores a terem medo de apresentar queixas contra as empresas", disse.

Ao longo da sua vida profissional, 16,5% da população ativa portuguesa já viveu alguma vez uma situação de assédio moral. Ou seja, mais de 850 mil pessoas já foram assediadas no emprego, a maioria das quais mulheres.

As mulheres, em especial as jovens trabalhadoras, são particularmente afetadas pela precariedade no trabalho, com todas as repercussões negativas que tal implica para as suas vidas.

Para Fátima Messias, a precariedade é também uma forma de assédio moral, "que promove a insegurança e a angústia e condiciona a liberdade e o direito de organização da vida pessoal e familiar".

"Não é por acaso que de 2000 para 2015 a idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho passou dos 26,5 anos para os 30,2 anos. É um adiar de vida", considerou, lembrando que quatro em cada cinco novos contratos de trabalho são precários, estando na origem de mais de 43% das novas inscrições nos Centros de Emprego.

Segundo Fátima Messias, são também as mulheres as mais afetadas pelas doenças profissionais, devido aos ritmos de trabalho intensos e às formas de organização do trabalho, representando 60% dos trabalhadores com doenças musculoesqueléticas.

"Todos os indicadores pioraram nos últimos anos, ou mantiveram-se em níveis inaceitáveis. Por isso, é preciso mudar as leis e as práticas nos locais de trabalho", defendeu Fátima Messias.

Sob o lema "Valorizar o Trabalho - Efetivar a Igualdade", a central sindical vai promover até sexta-feira, em todos os distritos, concentrações, desfiles, marchas, tribunas de rua, debates, plenários e reuniões com trabalhadores de diversos setores profissionais.

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