“Num momento de crise global, precisamos de um Conselho de Segurança capaz de tomar as decisões necessárias e não um que esteja paralisado por vetos e lutas políticas”, disse Josep Borrell numa intervenção por videoconferência num encontro virtual de alto nível sobre o financiamento de políticas de desenvolvimento no contexto da pandemia.

O Conselho de Segurança, órgão decisório da ONU, permanece bloqueado em diversas questões devido a divisões entre os cinco membros permanentes, sobretudo entre os Estados Unidos e os seus aliados, de um lado, e a Rússia e a China, do outro.

Apesar de semanas de discussões, o Conselho de Segurança não foi capaz até agora de aprovar uma resolução sobre a resposta à situação de emergência internacional criada pelo novo coronavírus, devido, segundo fontes diplomáticas, ao conflito entre Washington e Pequim.

O Alto Representante para a Política Externa e de Segurança da UE afirmou que a pandemia “é um teste à Humanidade, mas também ao próprio sistema multilateral”.

“Esta crise demonstra que os problemas globais exigem ação coletiva. A covid-19, as alterações climáticas, são problemas que nenhum país pode resolver sozinho”, disse.

Borrell frisou que a pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2 está a evidenciar as vulnerabilidades dos países mais frágeis, pode destruir anos de progressos em matéria de desenvolvimento, agravar conflitos e gerar novas tensões geopolíticas.

Sublinhando a aposta da UE no multilateralismo, o Alto Representante afirmou que a União trabalha pelo reforço da ordem internacional baseado em normas e com a ONU no seu centro.

“Não há outra opção”, advertiu.

“O mundo precisa de um sistema multilateral revitalizado, mas isso só acontecerá se todos investirmos nele. A UE está a fazê-lo. Esperamos que aqueles que se sentam no Conselho de Segurança façam a sua parte”, disse.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs, na sua intervenção na cimeira virtual, uma “iniciativa de recuperação global” que junte investimento e alívio da dívida dos países mais pobres.

Von der Leyen manifestou também disponibilidade da UE para disponibilizar recursos e especialistas para uma recuperação resiliente, justa, ecológica e digital.

“O mundo pós-pandemia pode ser mais inclusivo e verde que o mundo que conhecemos. Depende de nós que a reconstrução seja melhor”, disse.

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