Cerca de 40 camiões, com mercadorias e apoio alimentar humanitário, estavam parados na segunda-feira a meio do que era suposto ser um caminho alternativo desde a capital provincial, Pemba, para os distritos de Palma, Nangade, Mueda, Mocímboa da Praia e Muidumbe.

Os veículos encontravam-se na mata numa estrada em terra batida que começou a ser usada como via substituta há cerca de mês e meio, quando duas pontes da estrada asfaltada (EN380) caíram.

No entanto, o caminho alternativo também já se encontra muito degradado, os veículos ficam atolados quando a chuva é intensa ou ficam bloqueados pela subida do nível das águas, como acontece no rio Muilo, onde a ponte também cedeu e as viaturas atravessam o leito quando o caudal acalma, relataram polícias e condutores.

Quando ficam retidos, uns aguardam que as chuvas passem para tentar voltar a circular, outros esperam a ajuda de retroescavadoras para desbloquear os camiões ou para transferir carga.

Entre os pesados parados na segunda-feira estavam pelo menos dez com o selo do Programa Alimentar Mundial, carregados com ajuda alimentar, sendo que os restantes levam mercadorias diversas, estando em causa o regular abastecimento dos cinco distritos isolados.

Esta via alternativa em que as viaturas enfrentam dificuldades desde a última semana é uma ligação de 160 quilómetros entre Nacololo (distrito de Montepuez) e Pedreira Chudi (distrito de Mueda).

A estrada nacional 380 (EN80), a única via asfaltada que liga o Norte ao Sul da província, está intransitável desde há cerca de mês e meio, após a queda de duas pontes sobre os rios Montepuez e Messalo.

As autoridades moçambicanas têm obras a decorrer para tentar repor as travessias, enquanto as pontes são reparadas, mas enfrentam também dificuldades em fazer chegar material e equipamento aos locais.

Na região isolada há cerca de 150.000 pessoas que já perderam bens ou foram forçadas a abandonar casas e propriedades devido a ataques de grupos rebeldes que ocorrem desde 2017, afetando comunidades que ainda sofrem com a destruição causada pelo ciclone Kenneth, que se abateu sobre elas há um ano.

No distrito de Palma está em construção o maior investimento privado em África da atualidade, estimado em 50 mil milhões de dólares, relativo ao conjunto de megaprojetos de exploração de gás natural da bacia do Rovuma.

No entanto, os consórcios de petrolíferas tem recorrido à deslocação de pessoas e materiais por meios aéreos, por motivos de segurança, segundo referem alguns dos utilizadores.

A atual época das chuvas, de outubro a abril, já matou 54 pessoas e afetou cerca de 65 mil pessoas em Moçambique, muitas com habitações inundadas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

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