Luca Parmitano falou em direto da Estação Espacial Internacional, onde está desde 20 de julho em missão pela Agência Espacial Europeia (ESA), para a cimeira do clima da ONU de Madrid (COP25), tendo sido interpelado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pelo astronauta e ministro da Ciência espanhol, Pedro Duque.

Para Luca Parmitano, “é tempo de colocar a cabeça fora da areia”, enfrentar os problemas, “mudar e continuar em frente”.

A Terra, com todas suas “fragilidades e beleza”, é um “planeta único”, que tem vida que é preciso preservar, assinalou, referindo que o combate contra o aquecimento global implica “cooperação e inovação”, a mesma que existe nos programas espaciais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou, irónico, que há mais cooperação no espaço do que no Conselho de Segurança das Nações Unidas, realçando “as verdades”: as emissões de gases com efeito de estufa, que provocam a subida da temperatura no planeta, estão a aumentar e não existe um compromisso à escala global sobre a neutralidade carbónica.

“Falta vontade política”, vincou.

O astronauta italiano, o primeiro da sua nacionalidade a assumir o comando da Estação Espacial Internacional, na órbita terrestre, considerou que os políticos “precisam de visão”, pensar a longo prazo, fazer de “um obstáculo” uma “oportunidade” para “dar um passo na evolução” e destacou as tecnologias disponíveis que podem fazer a diferença, como os transportes e energia limpos.

Luca Parmitano, de 43 anos, pai de duas raparigas, evocou as gerações futuras de que é necessário cuidar e o papel da ciência espacial, que deve servir “de inspiração” para a mudança e a luta contra a crise climática, pela “imagem global” que dá do que se passa, nomeadamente através da observação que é feita da Terra pelos múltiplos satélites na sua órbita.

Questionado por António Guterres sobre a maior beleza e fragilidade do planeta, reconheceu ser “uma pergunta difícil”. No entanto, destacou de belo as diferentes camadas da atmosfera e os raios solares a trespassarem as nuvens, produzindo uma paleta de cores.

“Seria injusto escolher um exemplo”, sublinhou.

Mas quanto à escolha da maior fragilidade da Terra, não hesitou: “Nós, os humanos, a vida”, respondeu, tendo sido aplaudido pela assistência da COP25, que termina na sexta-feira na capital espanhola.

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