Numa conferência de imprensa realizada na sede da Direção-Geral da Saúde, em Lisboa, Graça Freitas assegurou que as sete pessoas com passaporte português que se encontram em quarentena a bordo de um cruzeiro com cerca de 3.600 pessoas em Hong Kong, por receio de que possa haver casos do novo coronavírus no navio, não estão em risco.

“Tivemos conhecimento dessa informação”, disse a Diretora-Geral da Saúde, tendo sabido do caso através do “sistema de vigilância epidemiológico” partilhado entre países. Graça Freitas garantiu que os detentores do passaporte português “estão apenas a bordo do navio", adiantando não haver "qualquer relato que estejam sob risco real, que tenham sofrido sintomas ou sido testadas”.

O Governo de Macau desconhece se os sete portadores de passaporte português são residentes na região autónoma chinesa.

Segundo as autoridades de saúde macaenses, Hong Kong (região administrativa especial chinesa) iria comunicar com as autoridades de Macau se fossem residentes macaenses. Caso contrário, seriam contactados os serviços consulares portugueses.

Mais de 3.000 pessoas, entre tripulantes e passageiros, foram mantidas no navio de cruzeiro no porto de Hong Kong para serem submetidas a exames médicos, depois da confirmação de que três passageiros chineses, que haviam viajado anteriormente na embarcação, eram portadores do novo coronavírus.

Na manhã de quarta-feira, uma equipa das autoridades de saúde de Hong Kong embarcou no "World Dream" para realizar inspeções médicas a 1.800 passageiros e 1.800 tripulantes após o navio atracar no terminal Kai Tak, em Kowloon, ao qual chegou depois de ter sido recusado pelas autoridades de Taiwan.

Para além desta confirmação, a DGS anunciou ainda novidades quanto às 20 pessoas repatriadas por Portugal da cidade de Wuhan, na China, que chegaram a Lisboa no domingo e que vão permanecer em isolamento profilático durante 14 dias em instalações dedicadas para o efeito no Hospital Pulido Valente (Centro Hospitalar de Lisboa Norte) e no Parque da Saúde de Lisboa.

A primeira novidade é que os quatro repatriados que se encontravam no Parque da Saúde de Lisboa foram transportados para junto dos outros cidadãos que já se encontravam no Hospital Pulido Valente, tendo "tudo sido feito de comum acordo entre os cidadãos e as autoridades de saúde”, segundo Graça Freitas.

A outra é que a DGS já apontou para um prazo para a segunda realização de testes de despiste do coronavírus. Graça Freitas disse que, após "consulta aos peritos e  tendo em conta “o conhecimento à data”, a “altura mais indicada para fazer pela segunda vez os testes será próximo da altura em que estas pessoas terminarem o seu isolamento profilático”, ou seja, "por volta do 11º ou 12º dia".

Até à data, não há sinais de que os cidadãos repatriados estejam infetados, sendo que "à medida que os dias passam, a situação em relação à possível exposição vai diminuindo, os testes foram negativos e as pessoas manifestaram intenção de ficarem juntas”, considera Graça Freitas.

Até agora houve quatro casos suspeitos em Portugal, sendo todos negativos.

A China elevou hoje para 563 mortos e mais de 28 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena.

Nas últimas 24 horas, registaram-se 73 mortes e 3.694 novos casos.

A primeira pessoa a morrer por causa do novo coronavírus fora da China foi um cidadão chinês nas Filipinas.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países, o último novo caso identificado na Bélgica na terça-feira.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou em 30 de janeiro uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

Estas são as principais recomendações das autoridades de saúde à população

O surto do novo coronavírus detetado na China tem levado as autoridades de saúde a fazer recomendações genéricas à população para reduzir o risco de exposição e de transmissão da doença. Eis algumas das principais recomendações à população pela Organização Mundial da Saúde e pela Direção-geral da Saúde portuguesa:

- Lavagem frequente das mãos com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;

- Ao tossir ou espirrar, fazê-lo não para as mãos, mas para o cotovelo ou para um lenço descartável que deve ser deitado fora de imediato;

- Evitar contacto próximo com quem tem febre ou tosse;

- Evitar contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;

- Deve ser evitado o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;

- Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.

Combater a desinformação

A Organização Mundial da Saúde tem tentado também divulgar factos para combater a desinformação e mitos ligados ao novo coronavírus. Eis algumas dessas informações:

- É seguro receber cartas ou encomendas vindas da China, porque as análises feitas demonstram que o coronavírus não sobrevive muito tempo em objetos como envelopes ou pacotes;

- Não há qualquer indicação de que animais de estimação, como cães e gatos, possam ser infetados ou portadores do novo coronavírus. Mas deve lavar-se sempre as mãos após contacto direto com animais domésticos, porque protege contra outro tipo de doenças ou bactérias;

- Não há também prova científica de que o consumo de alho ajude a proteger contra o novo coronavírus;

- Usar e colocar óleo de sésamo não mata o novo coronavírus;

- As atuais vacinas disponíveis no mercado contra a pneumonia não previnem contra o coronavírus 2019-nCoV. Este novo vírus precisa de uma nova vacina que ainda não foi desenvolvida;

- Os antibióticos não servem para proteger ou tratar as infeções provocadas pelo coronavírus. Os antibióticos são usados para infeções bacterianas e não virais. Contudo, os doentes hospitalizados infetados com coronavírus poderão ter de receber antibióticos porque pode estar presente também uma infeção bacteriana;

- Pessoas de todas as idades podem ser afetadas pelo coronavírus. Contudo, pessoas mais velhas ou com doenças crónicas (como asma ou diabetes) parecem ser mais vulneráveis a ter doença grave quando infetadas.

Onde chegou o coronavírus?

CHINA

Mais de 28.000 pessoas foram infectadas na China continental. Pelo menos 563 delas morreram. Quase todas as mortes ocorreram na província de Hubei, local do surgimento do contágio e de onde Wuhan é a capital.

Uma pessoa também morreu em Hong Kong, onde pelo menos 21 casos foram registados.

Dez casos foram reportados em Macau.

Um caso no Tibete.

REGIÃO ÁSIA-PACÍFICO 

Leste Asiático

Coreia do Sul: 23 casos

Japão: 45 casos, 20 deles a bordo do cruzeiro Diamond Princess colocado em quarentena em Yokohama

Taiwan: 13 casos

Sudeste Asiático

Camboja: um caso

Malásia: 12 casos

Filipinas: três casos, entre eles um morto em Manila, um chinês de Wuhan, a primeira morte fora da China

Singapura: 28 casos

Tailândia: 25 casos

Vietname: dez casos

Sul da Ásia

Índia: três casos

Nepal: um caso

Sri Lanka: um caso

Austrália: 14 casos

AMÉRICA DO NORTE

Canadá: quatro casos

Estados Unidos: doze casos

EUROPA

Alemanha: doze casos

Bélgica: um caso

Espanha: um caso

Finlândia: um caso

França: seis casos

Itália: dois casos

Suécia: um caso

Reino Unido: três casos

Rússia: dois casos

MÉDIO ORIENTE

Emirados Árabes Unidos: cinco casos

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