Em reação aos ajuntamentos verificados na sequência da Liga dos Campeões, o primeiro-ministro salientou que as fronteiras abriram e que o "Reino Unido preenche todos os critérios para termos as fronteiras abertas e tem, aliás, uma das taxas de vacinação mais evoluídas da Europa".

"Se correu na perfeição? Não correu, há pelo menos 20% de pessoas que terão vindo com bilhete e que não respeitaram as regras da bolha e decidiram vir antecipadamente, beneficiando do facto de as fronteiras terem aberto e, portanto, vieram como turistas", explica Costa, salientando ainda que não é por as regras não terem sido cumpridas que "deixam de ser legitimas", lembrando os ajuntamentos noturnos que se têm verificado em Lisboa e os festejos do campeonato do Sporting CP.

"A tarefa da Polícia de Segurança Pública ou da GNR, dependendo dos casos, na gestão da ordem pública é extremamente delicada", afirma destacando a "larga experiência" das forças de segurança nestas situações, desde o Euro2004, e que a forma de atuação tem sido referida como "boa prática internacional".

“Não correu tudo bem”, repete, mas relembra que "ninguém melhor [do] que as forças de segurança podem avaliar, nas circunstâncias concretas que estão a viver, qual o melhor modo de atuação” e  têm “privilegiado sempre a prática pedagógica relativamente às práticas de intervenção mais musculadas que têm sido sempre evitadas".

Segundo informa Costa, foram registados um número reduzido de incidentes e de pessoas detidas e, comparativamente, com outros momentos desportivos "marca mais pela positiva do que pela negativa", mas reforça que "é evidente o que ocorreu este fim de semana não pode servir de exemplo, deve servir de lição para situações futuras".

Questionado sobre as imagens registadas no Porto, afirmou: “Não gostei das imagens, mas, há que ter em conta, que foram repetidas em loop durante vários dias, criando a ilusão que eram imagens continuadas”.

Sobre as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que afirmou que se deveria ter respeitado a bolha, o primeiro-ministro voltou a frisar que não se podem confundir os 12 mil adeptos que vieram de charter "em bolhas" com os turistas, reiterando que "são situações distintas".

“Aquilo que foi acordado e que foi comunicado foi que esses 12 mil adeptos viriam em bolha", mas segundo o cálculo do chefe do Governo, desses 12 mil só 9800 vieram em bolha, ou seja, só 80% dos adeptos.

Questionado sobre o motivo pelo qual o Governo não acautelou a vinda de turistas, explicou que “não podemos querer simultaneamente turistas, mas depois dizer que não gostamos dos turistas”, afirmou, acrescentando que “quem vier tem de cumprir as regras”.

O  primeiro-ministro salientou ainda a necessidade facultar melhor informação aos turistas sobre as regras em vigor para combater a pandemia em Portugal e que um dos problemas que está detectado é que os folhetos não referem a utilização de máscara na via pública e que tal será retificado.

No final das declarações que prestou aos jornalistas no parlamento, Costa ainda foi questionado sobre as consequências políticas dos acontecimentos, tanto nos festejos incontrolados no Porto, no sábado, como em Lisboa quanto adeptos do Sporting festejaram o campeonato. “Há sempre lições a tirar”, disse apenas, sem responder diretamente à pergunta das consequências políticas.

A final da Liga dos Campeões, entre Manchester City e Chelsea, decorreu no Porto, no sábado, num jogo com a presença de adeptos ingleses, que durante os últimos dias estiveram aglomerados no centro da cidade, a maioria sem cumprir as regras ditadas pela pandemia de covid-19, como o uso de máscara e o distanciamento físico.

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