A primeira fase da gripe:

  • Tendo se iniciado hoje a primeira fase da vacinação contra a gripe sazonal, António Lacerda Sales recordou que as primeiras 335 mil doses disponíveis "destinam-se aos profissionais de saúde que prestam serviços ao público, grávidas e idosos residentes em lares".
  • "É a primeira vez que tem início ainda em setembro com vista a minimizar a co-circulação do vírus da gripe sazonal e do Sars-Cov-2", adiantou o secretário de Estado da Saúde.
  • O governante referiu que ao todo vão chegar dois milhões de vacinas a Portugal, mas em tranches, pelo que "as pessoas não serão vacinadas todas de uma vez", decorrendo o "processo até ao final do ano".
  • Lacerda Sales revelou também que 10% das vacinas reservadas à população com mais de 65 anos poderão ser administradas em 2000 farmácias de todo o país.
  • Dizendo que "a pandemia tem-nos ensinado muito sobre união", o secretário de Estado da Saúde quis deixar um agradecimento às Ordens dos Enfermeiros, Farmacêuticos e Médicos por se terem unido ao ministério da Saúde no "desenvolvimento e suporte financeiro de uma campanha de comunicação" de apelo à vacinação contra a gripe sazonal, chamada “Vacine-se por si, vacine-se por todos”.
  • Mais tarde, confrontada pela possibilidade de não haver vacinas que cheguem para todos os idosos pertencentes aos grupos de risco, Graça Freitas reiterou que as 335 mil vacinas "são suficientes" para a primeira fase, que as pessoas não vão ser "vacinadas todas no mesmo dia" e que a vacinação vai ser gratuita.
  • Quanto à vacinação que deverá ocorrer nos lares, a diretora-geral da Saúde admitiu que aí "a logística é mais complexa", pelo que "são os centros de saúde que se organizam com os lares e com unidades de cuidados continuados para vacinar os residentes e os profissionais", estando prevista a deslocação de equipas do SNS para programar a vacinação.

As origens da pandemia em Portugal: 

  • O estudo a ser coordenado pelo Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge quanto à diversidade genética do vírus obteve novos dados. "Hoje já sabemos que o arranque da epidemia da Covid-19 em Portugal foi marcado pela disseminação massiva de uma variante do vírus Sars-CoV-2, caracterizada por uma mutação específica pelo principal antigénio com origem em Itália e que causou pelo menos 3800 infeções em Portugal, especialmente no norte do país", começou por dizer Lacerda Sales.
  • Falando com maior detalhe, João Paulo Gomes, coordenador do estudo, disse que "o arranque da pandemia começou com a introdução de uma variante genética vinda da região da Lombardia" que "terá entrado em Portugal por volta de 20 de fevereiro nas regiões Norte e Centro, e que se terá disseminado de uma forma não passível de ser detetada pelas autoridades de saúde pública durante eventualmente 10 dias“.
  • Desta forma, foram originadas várias "cadeias de transmissão que depois foram crescendo”, sendo que “pelas nossas estimativas, a meio de abril terão originado cerca de 3.800 casos de Covid-19. Ou seja, 1 em cada 4 casos de Covid-19 em Portugal, por volta do dia 9 ou 10 de abril, terão sido causados por esta variante genética muito específica”, disse João Paulo Gomes.
  • No entanto, "apesar de ter tido um espalhamento massivo na região norte e centro", o responsável pelo estudo diz que " foram muito caros os casos em que essa variante foi encontrada nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.  Isso deveu-se à “tomada de medidas muito atempadas de saúde pública”, o que “estrangulou a disseminação massiva desta variante genética para o resto do país”.
  •  João Paulo Gomes sublinhou que este é "um estudo em fase de conclusão", sendo que "os resultados finais serão apresentados dentro de 2 ou 3 semanas".
  • O responsável disse ainda que este se trata de um "estudo retrospetivo, cujas conclusões servirão como uma lição para nos preparamos para um futuro próximo ou longínquo", mas que pode não trazer conclusões "de aplicação imediata”. “É muito importante percebermos exatamente como chegámos ao ponto a que chegámos e em que medida é que as medidas de saúde pública foram atempadas e eficazes ou não”, disse.

Outros temas:

  • Questionada quanto aos vários surtos a decorrer em lares espalhados pelo país, Graça Freitas disse que há 51 surtos ativos neste momento: 10 na região Norte, dois na região Centro, 33 na região LVT, três na região do Alentejo e três na região do Algarve.
  • Quanto aos surtos existentes nas escolas, há 12 estabelecimentos de ensino atualmente com surtos, a abranger um total de 78 pessoas infetadas, revelou hoje a diretora-geral da Saúde. Segundo Graça Freitas, cinco escolas com surtos estão localizadas na região Norte, uma no Centro e seis em Lisboa e Vale do Tejo.
  • Não tendo terminado de listar os locais com surtos ativos, a diretora-geral da Saúde disse que:
    • Na região Norte há um surto “praticamente terminado” numa instituição de saúde em Guimarães e teve oito doentes, um surto em Paredes com quatro casos, um surto em Vila Nova da Galé com sete casos e um surto já iniciado no início de agosto na Póvoa de Varzim que resultou em 85 casos e um óbito;
    • Na região Centro, o Hospital Sousa Martins, na Guarda, tem 10 casos ativos, tendo o surto tido início a 15 de setembro, e uma ala de medicina do Hospital de Leiria tem, à data, oito casos;
    • Na região de Lisboa e Vale do Tejo, há dois casos ativos no Hospital Garcia de Orta, em Almada, há um surto “já antigo” numa clínica psiquiátrica do Lumiar, em Lisboa que resultou em 14 casos, e um surto na clínica São João de Ávila, também na capital, resultou em 16 casos.
  • No que toca aos vários surtos a decorrer em várias instituições de saúde do país, Graça Freitas diz que estão a ser investigados, que afetaram sobretudo profissionais de saúde e que "existem algumas possíveis ramificações para outros sítios, porque estas pessoas movem-se e deambulam".
  • No que toca aos profissionais de saúde infetados, existe um total de 4970: 629 médicos, 1435 enfermeiros, 1401 assistentes operacionais, 166 assistentes técnicos, 167 técnicos superiores de diagnóstico e 1172 .outros profissionais, disse António Lacerda Sales, O secretário de Estado da Saúde sublinhou que há 4.108 recuperados, significando isso uma taxa de recuperação superior a 82%.
  • Quanto à questão do aglomerado que ocorreu no aeroporto de Faro, Lacerda Sales disse esperar que se tenha tratado apenas de uma situação pontual, já que “não é recomendável sob o ponto de vista de saúde pública”. No entanto, o secretário de Estado da Saúde aproveitou essa pergunta para anunciar que entra em vigor a 2 de outubro o PLC (Passenger Locator Card ou Cartão de Localização de Passageiro), destinado a recolher dados dos passageiros dos aeroportos portugueses para rastrear possíveis casos de infeção. O lançamento no início de outubro vai ser feito "em coexistência de papel e digital”, sendo que a 9 de outubro vai ocorrer o lançamento oficial 100% digital.

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