"Temos visto o aplanar da curva", disse Diogo Cruz, o subdiretor-geral da saúde. As medidas têm resultado, mas Diogo Cruz não se pronuncia sobre o prolongamento do estado de emergência, que hoje está a ser reavaliado por Marcelo Rebelo de Sousa. Ainda assim, a Direção-Geral da Saúde (DGS) já está a olhar para um cenário de alívio.

"As medidas tomadas foram as adequadas", agora, há que "estudar quando e como podemos aliviar medidas", diz Diogo Cruz. "Estamos a fazer este trabalho há mais de uma semana. Quando tivermos resultados, informaremos".

"Neste momento, não sabemos se o vírus vai ter mais ou menos ondas, mas é natural que, se tiver, outras medidas possam ser tomadas", explicou. "Atualmente, ainda não sabemos se vão existir novos picos, ainda que seja uma possibilidade".

António Lacerda Sales, o secretário de Estado da Saúde, também não se pronunciou sobre cenários de alívio das medidas mais restritivas: “Hoje está a ser feita uma reavaliação do estado de emergência e competirá às entidades, nomeadamente ao Presidente da República, tomar depois decisões em função de alguns aspetos técnicos que serão apresentados”.

Desde 1 de março o país já fez mais de 200 mil testes ao SARS-CoV-2, o novo coronavírus, responsável pela Covid-19. E tem em stock mais de um milhão de testes, anunciou António Lacerda Sales. São ao todo um milhão e trinta cinco mil testes em stock.

“E foram distribuídos esta semana mais 265 mil testes pelas cinco administrações regionais de saúde e as duas regiões autónomas”, afirmou o governante na conferência. O Norte recebeu 45% dos 'kits, a região de Lisboa e Vale do Tejo recebeu cerca de 30%, sendo a restante quantidade distribuída pelas outras administrações regionais.

“Continuamos empenhados em garantir que os testes chegam onde são mais necessários e a melhorar o tempo de resposta entre a colheita e a entrega do resultado”, declarou.

Lacerda Sales destacou os profissionais envolvidos no combate à pandemia, nas várias frentes.

“Todos, sem exceção, merecem o nosso reconhecimento, consideração e agradecimento”, disse, referindo-se a bombeiros, forças e serviços de segurança, proteção civil e pessoal do INEM.

Antes da pandemia, acrescentou, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) recebia, em média, 3.800 chamadas: “Hoje recebe menos 500 por dia, o que resulta naturalmente do confinamento, mas não pode resultar do receio dos cidadãos recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde, em caso de urgência”. Lacerda Sales lembrou que o INEM continua disponível para as situações não covid. O INEM, cujo presidente esteve esta quarta-feira na conferência de imprensa, já fez mais de um milhar de transportes ligados à covid-19 e três mil colheitas de amostras para análise.

"As pessoas podem ter confiança no sistema", disse Luís Meira, sublinhando que "está garantida a segurança" para que os casos de saúde não ligados à covid-19 possam ser atendidos sem medo de contaminação. "É importante que as pessoas com necessidade de assistência médica não adiem o contacto com SNS24, ou, em casos urgentes, com o 112", disse o presidente do INEM.

Portugal está com uma taxa de mortalidade de cerca de 5,5 por 100 mil habitantes devido à covid-19, afirmou o secretário de Estado da Saúde, salientando que este valor é inferior ao da maioria dos países europeus. António Lacerda Sales referiu que esse indicador é mais baixo na Alemanha e Áustria e considerou que Portugal deve “assumir de forma responsável a curva em planalto” do progresso da epidemia.

“Não nos comparamos com outros países, esta é uma luta global, não é uma disputa de números ou de países”, ressalvou, considerando que o estado da covid-19 em Portugal “é uma consequência do excelente comportamento e do excelente sinal de civismo que o povo português tem dado”.

O subdiretor-geral da Saúde reafirmou que a contabilidade das vítimas mortais da covid-19 em Portugal poderá significar “um número de óbitos maior comparativamente com outros países” que as contabilizem de forma diferente.

“Nós neste momento estamos a considerar e a classificar mortalidade por covid, para efeitos deste surto em particular, todas as pessoas que faleçam por covid, independentemente da causa básica” da morte estabelecida pela classificação internacional da mortalidade.

O responsável da Direção-geral da Saúde declarou que Portugal está “com a malha o mais larga possível em relação aos países da Europa”.

Portugal regista hoje 599 mortos associados à covid-19, mais 32 do que na terça-feira, e 18.091 infetados (mais 643), indica o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de terça-feira, indica que a região Norte é a que regista o maior número de mortos (339), seguida pelo Centro (136), pela região de Lisboa e Vale Tejo (111) e do Algarve, com nove mortos. O boletim regista ainda quatro óbitos nos Açores.

Relativamente a terça-feira, em que se registavam 567 mortos, hoje observou-se um aumento percentual de 5,6% (mais 32). Segundo os dados disponibilizados pela DGS, há 18.091 casos confirmados, mais 643, o que representa um aumento de 3,7% face a terça-feira.

A pandemia da covid-19 ultrapassou hoje os dois milhões de infetados em todo o mundo, levando à morte de quase 127 mil pessoas, desde que a doença surgiu em dezembro na China, segundo um balanço da AFP às 10:00.

Segundo os dados da agência de notícias francesa, a partir de dados oficiais, foram registadas 126.871 mortes e pelo menos 2.000.576 casos de infeção, especialmente na Europa.

O continente europeu continua a ser o mais afetado com 1.010.858 casos e 85.271 mortos.

Os Estados Unidos, país em que a pandemia está a progredir rapidamente, lideram em número de mortos, 26.033 em 609.240 casos.

A AFP alerta que o número de casos diagnosticados reflete apenas uma fração do número real de infeções, já que um grande número de países está agora a testar apenas os casos que requerem atendimento hospitalar.

(Artigo corrigido às 16:45  — correção do número de chamadas dos CODU, após retificação da secretaria de Estado da Saúde  das declarações de António Lacerda Sales hoje na conferência: o INEM recebe menos 500 chamadas por dia e não menos de 500 por dia)

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