Em conferência de imprensa, Paulo Cunha explicou que a falha energética apenas se registou na parte onde estão armazenadas as vacinas, instalada num complexo cedido às autoridades de saúde pela autarquia, acrescentando que está em curso um inquérito por parte da autarquia e das autoridades de saúde.

O autarca lamentou que os elementos da equipa de segurança que assegura a vigilância exterior do complexo, contratada pelo município a pedido das autoridades sanitárias, não tenham autorização das autoridades de saúde para aceder ao interior do mesmo e à parte onde estão guardadas as vacinas.

No seu entender, se os seguranças pudessem aceder a esse espaço onde estão armazenadas as vacinas – localizado num complexo de vários edifícios de uma antiga escola do ensino básico e que hoje é usado por instituições de ensino superior e outras entidades -, esta situação poderia ter sido evitada, sendo que o que aconteceu deve levar à mudança de procedimentos.

“Acontece que, quem faz a vigilância, não está autorizado a aceder ao local onde estão armazenadas as vacinas. Se essa equipa de segurança estivesse, como eu acho que devia estar, autorizada a aceder ao espaço onde estão armazenadas as vacinas, isto não teria acontecido, porque, quem faz a vigilância, tem o compromisso de, a cada 30 minutos, verificar determinados espaços dentro do local objeto dessa mesma vigilância. Isto não aconteceu porque o espaço [onde estão as vacinas] está fechado”, explicou Paulo Cunha.

Questionado sobre a possibilidade de ter havido algum tipo de sabotagem, o presidente da Câmara de Famalicão escusou-se a usar a palavra, mas admitiu “que algo de muito estranho aconteceu”.

O autarca revelou que o município instalou um gerador para salvaguardar uma eventual falha energética do complexo, sublinhando que a falha de energia ficou “circunscrita” ao espaço onde estão armazenadas as vacinas.

“Nós colocámos lá um gerador que assegura, no mínimo, duas horas de energia em caso de falha energética. Mas para isso é preciso que quem vigia tenha noção de que houve uma falha de energia. Em todo o edifício havia energia, a energia só faltou naquele espaço [onde estão as vacinas]. Quem faz a vigilância não sabe se no espaço onde não tem acesso há ou não energia, porque ele não tem acesso ao espaço”, afirmou Paulo Cunha.

O autarca espera que “este incidente” leve as autoridades de saúde a mudar procedimentos.

“Espero que este incidente, de grandes repercussões, porque estamos a falar de uma matéria que é escassa, que são vacinas, faça com que as autoridades de saúde mudem este procedimento. Era suposto que houvesse mais confiança entre as várias instituições e se permitisse que a entidade que aloja o processo, no caso de vacinação, pudesse ter acesso àquilo que é mais importante que são as vacinas”, defende Paulo cunha.

O autarca, eleito pela coligação PSD/CDS-PP, critica o “clima de desconfiança” que diz existir entre as várias entidades.

“É lamentável que ainda hoje, no século XXI e em Portugal, haja um clima de desconfiança entre várias instâncias e que a instância nacional, o Estado, não confie em instâncias locais, no caso nos municípios, para que possam estes executar uma tarefa bem-sucedida. Parece que têm medo que roubem as vacinas. Com o medo e o receio que tiveram, a consequência foi que tivéssemos desperdiçado este número de vacinas”, frisou o autarca.

Esta situação vai, segundo informação transmitida pelas autoridades de saúde ao município de Famalicão, atrasar as “primeiras tomas” previstas para os próximos dias, sobretudo numa fase em que o concelho de Famalicão “está numa situação de alerta”, disse ainda o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

(Notícia atualizada às 13h33)

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