Em entrevista à RTP, poucos minutos depois de o Presidente da República ter anunciado que convocará o Conselho de Estado para quarta-feira para discutir a "eventual decisão de decretar o estado de emergência" em Portugal devido à pandemia de Covid-19, Jerónimo de Sousa foi questionado se concordaria com esta medida.

“Sem quer antecipar a decisão do Presidente da República, basta lembrar que temesse poder constitucionalmente, ouvido o Governo e a Assembleia da República autorizar (…) Creio que a Assembleia da República naturalmente terá em conta o argumento e as razões do Presidente”, afirmou.

O secretário-geral do PCP classificou a atual situação que o país vive como “de exceção” e defendeu que o objetivo fundamental de quem tem “responsabilidade política, legal e institucional” dever ser “salvar a vida de muitos portugueses”.

Mais à frente e questionado sobre uma eventual decisão de encerramento de fronteiras e sobre a posição dos Governos Regionais da Madeira e dos Açores, que pretendem fechar os seus aeroportos, o líder comunista defendeu que “a República não se pode demitir em relação a decisões dessa natureza”.

“Só houve uma experiência concreta, em 1975, um degrau acima, o estado de sítio, mas perante as situações concretas, a evolução concreta que se verificar… Podem ter de ser tomadas medidas, incluindo essas”, disse.

Jerónimo de Sousa enalteceu a resposta dos profissionais de saúde e do Serviço Nacional de Saúde, mas não excluiu que possam ser requisitados meios do setor privado para combater a pandemia de Covid-19.

“Se necessário, isto é uma questão de segurança nacional, todos devem ser convocados para travar esta batalha com êxito”, afirmou, enaltecendo o exemplo dos médicos reformados e dos estudantes de Medicina que se têm disponibilizado para ajudar.

Numa breve entrevista exclusivamente centrada na resposta do país ao novo coronavírus, o líder comunista escusou-se a apontar atrasos ao Governo, e sublinhou que o PCP deu o seu apoio às medidas anunciadas pelo executivo na passada quinta-feira, embora com alguns reparos.

“Preocupa-nos que, num contexto tão difícil, centenas de milhares de trabalhadores vejam um terço do seu salário não ser pago”, apontou, considerando que se forem aplicadas medidas de ainda maior contenção, como a quarentena obrigatória, o Governo tem de compensar esses trabalhadores, bem como lançar medidas de apoio às Pequenas e Médias Empresas, de aumento do investimento público e colocar em segundo plano a questão do défice.

Jerónimo de Sousa defendeu que “o Estado é fundamental em termos de investimento público” e ser necessário que o país aumente a sua produção nacional, “um elemento fundamental gerador da criação de empregos, de direitos dos trabalhadores”.

O líder comunista enalteceu, de forma coletiva, “a profunda compreensão” dos portugueses nesta crise de saúde pública, dizendo que, apesar da inquietação e preocupação, têm sabido “compreender e acatar” as medidas que o Governo apresentou.

“Por parte do povo português, há condições para darmos uma resposta coletiva”, afirmou.

O novo coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 6.400 mortos em todo o mundo.

O número de infetados ronda as 164 mil pessoas, com casos registados em pelo menos 141 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 245 casos confirmados. Do total de infetados, mais de 75 mil recuperaram.

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