“Em 2019, fizemos um estudo e concluímos que a última edição do MIUT ‘derramou’ pouco mais de 3,3 milhões de euros na economia local, mas na conjuntura atual não há estrangeiros, nem turismo e o evento deixa de contribuir para a ilha”, explicou à agência Lusa Sidónio Freitas, diretor da prova que liga Porto Moniz ao Machico.

O MIUT estava previsto para 25 de abril e foi cancelado em 12 de março, um dia após o Governo Regional da Madeira ter suspendido todos os eventos desportivos, compondo a “melhor solução” e a “decisão mais difícil de tomar” pela organização em 12 edições.

“Há muita incerteza sobre o futuro próximo. Adivinhando que as coisas não caminhavam num bom sentido, já tínhamos sondado o World Tour sobre um possível adiamento. Foi-nos sugerido o mês de novembro, que ficaria muito em cima de abril de 2021″, contou.

Os 3.000 atletas, incluindo 2.500 estrangeiros de 52 países, tinham esgotado o evento em “quatro horas e meia” e foram convidados a diferirem para o MIUT 2021 até 24 de abril, podendo também cancelar a sua participação com um reembolso de 45%.

Preparado pelo Clube de Montanha do Funchal, o MIUT contempla cinco distâncias (115, 85, 60, 42 e 16 quilómetros) e estava orçado em 450 mil euros, mais 100 mil euros face à edição de 2019, assente nas verbas das inscrições e nos apoios de entidades públicas.

Como as desistências têm sido “residuais” e “determinadas compras previstas para o próximo ano já foram efetuadas em 2020″, a organização do MIUT assegura que não vai passar “nenhuma dificuldade financeira” até 17 de abril de 2021.

“Teremos tempo para delinear as coisas com mais calma e dar um salto qualitativo em áreas nas quais não tínhamos tanta capacidade de resposta. Dada toda a situação que vivemos, queremos compensar as pessoas com uma melhor experiência”, afiançou.

O MIUT pontua para o circuito mundial desde 2016, ao contrário da estreante Whaler’s Great Route [Grande rota dos baleeiros], prova maior do programa da Azores Trail Run, que se realiza na ilha açoriana do Faial e transitou de 08 a 10 de maio para o fim de semana entre 30 de outubro e 01 de novembro, sobrepondo-se ao Azores Triangle Adventure, da mesma organização.

“Tínhamos tudo reservado, mas como [o Azores Triangle Adventure] se trata de um evento privado com cerca de 100 atletas, é mais fácil de cancelar ou mudar a data. Havia opiniões diferentes na organização, mas já estávamos a antever que isto ia seria muito complicado e aproveitámos essa data disponível”, partilhou à agência Lusa o diretor Mário Leal.

Com o cunho organizativo da ATR, a Whaler’s Great Route mudou de calendarização em 13 de março e passou a coincidir com a etapa norte-americana no Estado do Arizona, num mês ainda repartido por passagens na Coreia do Sul, Espanha, China, Turquia e Austrália.

“Vai haver uma perda muito grande de afluência. No entanto, tenho alguma fé de que faremos algo e tentaremos gerir os compromissos assumidos da melhor forma, talvez num evento mais pequeno e com menos custos associados”, projetou.

Para precaver essa “mobilidade de pessoas” e rentabilizar o investimento de 100 mil euros, Mário Leal reabrirá “em breve” as inscrições para as cinco distâncias (118, 65, 42, 25 e 11 quilómetros), que contabilizam 700 corredores de 45 nacionalidades.

“Propusemos várias opções diversificadas: mudar para qualquer evento nosso, devolver a totalidade para quem pagou o seguro ou reembolsar 75% a partir do último trimestre do ano, percebendo efetivamente quem vem e que liquidez teremos”, distinguiu.

Além do “revés” na “promoção boca a boca” da ATR, fundada em 2011, a covid-19 vai acarretar “impactos enormes” na economia dos Açores, cujo Governo Regional impôs na quinta-feira cercas sanitárias em toda a ilha de São Miguel.

“A um custo baixo consegue-se ter um alcance muito grande: nos dias do evento temos hotelaria, restaurantes e museus cheios e as pessoas fazem turismo nas outras ilhas. Agora não sei com que força iremos promover 2021. Vamos precisar de apoio, mais do que financeiro, e de pensar juntos como fazer render isto a sério no futuro”, apontou.

O MIUT e a Whaler’s Great Route são a nona e 10.ª etapas do Ultra Trail World Tour, circuito internacional de longas distâncias de ‘trail run’, que arrancou em janeiro em Hong Kong, e deve terminar em dezembro no sultanato de Omã, num total de 28 competições.

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