Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas, hoje em França, pelo nono sábado consecutivo, para protestar contra a obrigatoriedade do atestado de saúde em muitos atos da vida social e, como nas semanas anteriores, houve incidentes em Paris e vários outros locais.

Na capital francesa, onde ocorreram pelo menos quatro manifestações em diferentes bairros, houve altercações entre grupos de manifestantes violentos que se enfrentaram na zona da Praça da República com a polícia de choque, que respondeu com gás lacrimogéneo.

A maior concentração foi organizada pelo líder de extrema-direita Florian Philippot, ex-braço direito de Marine Le Pen, de quem se afastou em 2017 para criar o movimento Os Patriotas.

Philippot disse na sua conta da rede social Twitter que conseguiu mobilizar "dezenas e dezenas de milhares de resistentes" num movimento que, na sua opinião, "se está a tornar mais forte".

Essa nova jornada de contestação à lei aprovada em julho, para combater a proliferação do novo coronavírus, ocorre quatro dias após a entrada em vigor de uma das suas disposições: a obrigatoriedade da vacinação para profissionais de saúde e demais grupos que trabalham diariamente com pessoas frágeis, como as da terceira idade.

Desde o início de agosto, o atestado de saúde - que atesta a posse do esquema vacinal completo, ter vencido a vacinação há menos de seis meses ou ter teste negativo há menos de 72 horas - é necessário para ações habituais da vida social, como entrar num bar ou restaurante, ir ao cinema, visitar um museu ou assistir a um jogo num estádio.

Na capital da Áustria, milhares de manifestantes também se impuseram contra as medidas de restrição sanitária impostas pelo Governo, gritando a palavra “liberdade”.

De acordo com as autoridades policiais, foram cerca de 2.000 as pessoas que se reuniram em Viena, pedindo a demissão do primeiro-ministro conservador, Sebastian Kurz, que acusam de estar a impor “uma ditadura” a pretexto do combate contra a pandemia.

A Áustria foi um dos primeiros países europeus a introduzir um sistema de passaporte sanitário.

Desde a reabertura geral, em meados de maio, é necessário apresentar teste negativo, atestado de anticorpos ou comprovativo de vacinação completa em hotéis, restaurantes, pavilhões desportivos, museus, cabeleireiro ou para eventos desportivos e culturais.

“Estou completamente excluído da vida quotidiana”, lamentou Shkelqim Kameni, 28 anos, que veio de Salzburgo, a 300 quilómetros da capital austríaca, para participar na marcha de protesto.

“Não posso tomar um café ou praticar desporto, não posso fazer nada. Posso apenas trabalhar, comer e fazer compras, só isso”, explica o jovem que se recusa a fazer o teste ou a se vacinar.

Sebastian Kurz avisou esta semana que, se a situação continuar a se deteriorar, as restrições podem ser aumentadas para aqueles que não são vacinados.

A covid-19 provocou pelo menos 4.602.565 mortes em todo o mundo, entre mais de 223,06 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.

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