Tedros Adhanom Ghebreyesus falava na habitual videoconferência de imprensa transmitida da sede da organização, em Genebra, na Suíça.

Segundo o dirigente da OMS, a pandemia da covid-19 "explorou e expôs as desigualdades no mundo", mas existe "um risco real de que as vacinas possam exacerbar essas desigualdades", quando os mais pobres são preteridos a favor dos mais ricos no acesso às vacinas.

Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, o "nacionalismo das vacinas pode atingir objetivos políticos de curto prazo, mas é uma atitude autodestruidora".

"As vacinas são um recurso limitado, temos de usá-las da maneira mais eficaz, mais equitativa possível. Se o fizermos, podemos salvar vidas", afirmou, realçando que a pandemia não acaba "se não acabar em todo o mundo".

Aos governos dos países, o diretor-geral da OMS voltou a pedir para que priorizem a vacinação dos profissionais de saúde e dos idosos, em maior risco de infeção, e partilhem as "doses em excesso" com o mecanismo de distribuição global Covax, copromovido pela OMS para fazer chegar as vacinas aos países mais pobres.

Tedros Adhanom Ghebreyesus lamentou que os profissionais de saúde, na "linha da frente" no combate à pandemia, estejam "frequentemente subprotegidos", apesar de "sobrexpostos" ao coronavírus da covid-19.

"Precisam de vacinas, agora!", enfatizou, acrescentando que uma pessoa deve esperar "a sua vez" para ser vacinada se não é de "alto risco".

A pandemia da covid-19 provocou, pelo menos, 2.191.865 mortos resultantes de mais de 101 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

Em Portugal, morreram 11.886 pessoas dos 698.583 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A campanha de vacinação no país iniciou-se, à semelhança de outros Estados-Membros da União Europeia, em 27 de dezembro, com a inoculação de profissionais de saúde em hospitais, estendendo-se pouco tempo depois aos utentes e funcionários de lares de idosos.

Na próxima semana devem começar a ser vacinados bombeiros, militares, polícias, idosos com mais de 80 anos, mesmo sem doenças, e pessoas com mais de 50 anos com doenças de maior risco associado à covid-19 (doença coronária, insuficiência renal e cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica), mas também titulares de órgãos de soberania e de cargos considerados essenciais.

A forma como está a decorrer o processo de vacinação tem sido criticada pelo facto de pessoas fora dos grupos prioritários já terem sido vacinadas.

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