Na entrada lateral para o pavilhão das Portas do Mar, onde funciona a receção do centro de vacinação, durante a manhã de hoje, raramente se acumulavam à espera mais do que três pessoas, que rapidamente eram atendidas e encaminhadas.

Para quem toma a primeira dose, segue-se uma passagem pela médica de serviço, que faz um questionário para perceber se o utente pode ser vacinado naquele momento; para quem espera pela segunda dose, o processo é mais rápido, mas não dispensa os 30 minutos no recobro.

Está tudo a correr “lindamente”, diz à Lusa o enfermeiro que coordena a operação, Jorge Lavouras. “Ontem [quarta-feira], não percebemos muito bem o que se passou”, confessa.

As filas que se verificaram na quarta-feira são uma exceção à regra, explicada com “algum problema informático”, que deixou o sistema “mais lento do que o habitual”, atira o responsável.

Hoje, o cenário é outro.

“Está a fluir muito bem”, assevera David Carreiro, de 40 anos, que foi convocado na terça-feira para aquela que será a sua única dose da vacina contra a covid-19, já que optou pela Janssen, de toma única. O temido momento da injeção “foi ótimo - foi a enfermeira sempre a conversar, a distrair o doente”, e a informar das possíveis contraindicações.

No momento de decidir se queria ser inoculado, para David, a escolha “foi óbvia, tinha de ser”.

“A gente já viu que isso não vai passar tão fácil e vai ficar para o resto da vida. Para o ano, se calhar, é outra. Temos de acompanhar os tempos”, explica.

Na cadeira ao lado, um companheiro dos 40, Hugo Melo, também não hesitou no momento em que recebeu a convocação e, entre a Pfizer e a Janssen, optou por “ficar despachado” com uma toma única.

“Foi bastante célere e correu bem. Gostei bastante. Fui atendido rapidamente, a vacina em si não dói. Só faltam cinco minutos para terminar a meia hora de espera e estou bem”, resume.

Maria Leonor Silva, de 71 anos, é mais expansiva nos louvores: “A organização tem sido extraordinária e sentimos segurança e que tudo está a correr da melhor forma. Dez pontos, se for o máximo”, diz, a rir-se.

Depois de ter sido inoculada com a vacina da AstraZeneca em abril, foi chamada para antecipar a segunda toma, mas uma cirurgia atrasou o processo.

Considera que, “no geral”, o processo de vacinação “está a correr bem”. As suas amigas “já estão todas vacinadas, há mais de 15 dias, e já estão a tentar tirar o certificado de vacinação, para estarem mais libertas, sobretudo quando se querem deslocar”.

Na iminência de os Açores atingirem a imunidade de grupo, que o Governo Regional prevê para finais de julho, o que se segue é uma vida “mais tranquila”.

“Pelo menos pelos resultados que temos ouvido na televisão, mesmo que se venha a apanhar, temos esperança de que seja de um modo mais suave e não ter consequências tão graves como quando não havia vacinas. É essa a nossa esperança”, refere Maria Leonor.

Também Júlia, de 26 anos, tem esperança de que, com 70% da população inoculada, a situação “vai ficar melhor”.

“A gente vai ter mais liberdade, não vai haver tantas restrições, vai voltar ao normal, mais ou menos”, considera.

Para a jovem, que padece de “uma doença no fígado” - por isso foi chamada mais cedo -, “está tudo muito bem organizado”. Enquanto aguarda no recobro, depois de ter sido inoculada com a segunda dose da Pfizer, conta que da primeira toma não teve nenhuma reação, “agora vai-se ver”.

Lígia Costa, de 43 anos, respondeu à convocatória porque trabalha “numa coisa de turismo” e teve de ser vacinada para poder trabalhar. “Estava com medo”, confessa, por causa “das coisas que as pessoas dizem, que a primeira vacina custa mais”, mas o processo “correu bem”.

O enfermeiro Jorge Lavouras considera que a operação de vacinação contra a covid-19 “tem sido uma experiência fantástica, uma megaoperação, com muitos profissionais de várias áreas envolvidos”.

São “12 horas por dia”, o que se torna “extremamente cansativo, como é óbvio”, mas, afirma, “todos os profissionais, desde assistentes operacionais e assistentes administrativos a enfermeiros, passando por uma série de profissionais da retaguarda, que estão na sede da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel a dar o seu melhor, com muito empenho”, estão “a conseguir excelentes resultados”.

Na quarta-feira, depois de ter sido divulgado que os Açores receberiam menos doses de vacinas do que no mês passado, o que poderia abrandar o ritmo de vacinação, o coordenador da comissão especial de acompanhamento à covid-19, Gustavo Tato Borges, disse à Lusa que a região não mudou a meta de atingir imunidade de grupo no final deste mês, levantando algumas restrições em meados de agosto.

Desde 31 de dezembro de 2020 e até 30 de junho passado, foram administradas nos Açores 224.012 doses de vacinas contra a covid-19, havendo 124.738 pessoas com pelo menos uma dose (51,4% da população) e 99.274 pessoas com vacinação completa (40,9%), segundo a Autoridade de Saúde Regional.

A Direção Regional de Saúde divulgou na sua página da rede social Facebook que, na terça-feira, foi registado "o recorde diário de doses de vacina nos Açores".

Os Açores têm atualmente 306 casos positivos ativos de covid-19, sendo 286 em São Miguel, nove na Terceira, seis no Pico, dois no Faial, dois em São Jorge e um nas Flores.

Desde o início da pandemia foram diagnosticados no arquipélago 6.580 casos positivos. Recuperaram da doença 6.099 pessoas, 34 morreram, saíram do arquipélago 83 e 58 apresentaram prova de cura anterior.

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