Esta posição foi transmitida pelo ex-secretário de Estado da Defesa na abertura do período de declarações políticas em plenário da Assembleia da República, num discurso em que elogiou a ação das Forças Armadas no combate à pandemia de covid-19.

"Esperamos que o desvanecer progressivo da memória dramática da urgência sanitária não constitua só por si razão bastante para os partidos valorizarem mais as divergências políticas do que a construção de soluções para a resposta económica e social que agora se impõe. A revisão orçamental e o plano do governo para relançar a economia constituem os primeiros testes que teremos pela frente", declarou o deputado do PS.

Numa intervenção algo distante das teses dos maiores defensores da chamada "Geringonça", Marcos Perestrello sustentou que o PS, ao longo dos últimos cinco anos, sem maioria no parlamento, "tem sido capaz de governar com apoios parlamentares variados, mais ou menos estruturados ou pontuais".

"Estranho seria que, num contexto de emergência social e económica, os partidos políticos com assento parlamentar se pusessem agora à margem de qualquer solução. Não é tempo de facilitismo económico nem de obstinações ideológicas", avisou.

Mas Marcos Perestrello foi ainda mais longe nos seus recados de caráter político: "Todos temos consciência de que o Estado precisa de recursos e que só a economia é capaz de os gerar".

"As receitas tenderão a diminuir e as despesas a aumentar. Para corrigir essa trajetória, fortalecendo a economia e o Estado, e para termos um tecido social mais forte e coeso, o equilíbrio das políticas públicas constituirá o eixo central do êxito, não deste partido ou daquele, deste governo ou do outro, mas sim de Portugal e dos portugueses", afirmou.

Parte substancial do discurso do ex-secretário de Estado da Defesa foi no sentido de "expressar o reconhecimento pela ação desenvolvida neste período pelas Forças Armadas Portuguesas e pelos militares, militarizados e civis que escolheram servir Portugal nas Forças Armadas".

"Não constitui surpresa a forma como têm atuado nesta crise sanitária e mantido, simultaneamente, a prontidão de resposta para as missões que continuam a ser desenvolvidas no dia-a-dia, em cenários de especial complexidade em Portugal e no estrangeiro, mantendo sempre a segurança das mulheres e dos homens em missão, dignificando e prestigiando as Forças Armadas e Portugal na Europa e no Mundo. Um rigoroso planeamento permitiu conduzir as ações de forma coordenada e sustentada, contribuindo para a segurança sanitária e o bem-estar da população, através do apoio a um leque alargado de entidades, com uma articulação civil e militar notada em Portugal, mas também no seio da União Europeia e da NATO", considerou.

Marcos Perestrello destacou depois "o trabalho desenvolvido pela saúde militar com uma referência ao empenho e capacidade de resposta Laboratório Militar, bem como ao trabalho de reflexão e estudo relevante para a tomada de decisão desenvolvido pelo Gabinete de Conhecimento da covid-19, criado no Estado-Maior General das Forças Armadas".

"Releva-se a organização funcional estabelecida para a crise permitindo uma monitorização permanente da situação e a proteção sanitária do pessoal, incluindo das Forças Nacionais Destacadas, evidenciando a capacidade de adaptação das Forças Armadas consoante as fases e as necessidades sentidas no combate à pandemia. Ao nível do apoio logístico, salientamos o repatriamento de cidadãos portugueses, o transporte de doentes, a criação de centros de acolhimento em unidades militares, o apoio aos sem-abrigo, bem como o apetrechamento dos centros de acolhimento dedicados aos cidadãos mais desfavorecidos", acrescentou.

No período de intervenções, a deputada do PSD Ana Miguel dos Santos considerou que as Forças Armadas precisam de mais operacionais e "não podem ser um mero dispensador de recursos".

"As Forças Armadas têm de ser muito mais do que isso", disse, antes de lamentar a baixa taxa de execução dos fundos para a Unidade de Apoio Militar de Emergência.

Pela parte do Bloco de Esquerda e do PCP, tanto João Vasconcelos, como António Filipe, elogiaram o papel das Forças Armadas, mais concretamente a ação do Laboratório Militar na produção de gel desinfetante.

O deputado do Chega André Ventura protestou contra o transporte de prisioneiros feito pela Força Aérea e falou também no desprestígio que causou o caso do furto de material militar em Tancos.

Pelo CDS, João Gonçalves Pereira advertiu para uma situação de "insustentabilidade" das Forças Amadas, enquanto a líder parlamentar do PAN, Inês de Sousa Real, defendeu que a carreira das Forças Armadas tem de ser revista e mais atrativa.

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