O sino da Igreja avisa que é uma da tarde, hora de almoço, mas o movimento nos restaurantes que rodeiam aquele templo não é muito e quem por ali anda não dispensa a máscara e desinfetante, colocados agora em cima das mesas ao lado dos telemóveis. É a "nova normalidade".

Na sexta-feira, naquele concelho do distrito de Braga, 50 pessoas foram diagnosticadas com SARS-CoV-2, o novo coronavírus que levou a Organização Mundial de Saúde a decretar o estado de pandemia, e 60 estavam a ser vigiadas. Os últimos números conhecidos referem que o surto vai já em 62 casos confirmados. Dois meses depois do último caso, a covid-19 volta aos holofotes da fama em Vila Verde.

"Andávamos todos contentes a pensar que já tinha passado. Mas não. Não abusámos, não conheço casos de ajuntamentos, nem de desrespeito pelas regras mas isto é mesmo assim. Basta um estar [infetado com o novo coronavírus] e todos os cuidados vão à vida", desabafou à Lusa António Santos, um dos poucos sentados numa das esplanadas perto da Igreja.

Os restaurantes, famosos na zona por bem servir, estão quase vazios: "Muitos fecharam agora também para uns dias de descanso, não é só por causa do vírus. Os que estão abertos estão ainda mais exigentes com os clientes, mais atentos às máscaras e ao número de pessoas por mesa. Mas a verdade é que não vem muita gente", descreveu à Lusa Paula Castro, empregada de um dos restaurantes abertos.

Nas ruas, o calor do Minho sente-se. Por ser hora de almoço, ou não, a maior parte das lojas estão fechadas e circulam poucas pessoas, a maior parte delas de máscara. Cristiana Gouveia é uma delas. "Trago a máscara mesmo na rua. Pode não ser preciso mas sinto-me mais segura. Na verdade, evito sair de casa a pé, prefiro de carro, mas para ir comprar pão é um pouco ridículo pegar no carro", explica.

"Este fim de semana houve muito pouco movimento. As pessoas voltaram a pôr trancas às portas e a ficar em casa e, quando se sai, é com muitos cuidados porque sabemos que ele anda ai, o vírus", disse.

Sobre que medidas pode a autarquia impor para travar este surto, que "dizem ter tido origem num restaurante", a maior parte das conversas fala pelo fecho da restauração, uma medida que gera uma "opinião esquizofrénica" na população.

"Se fecharem os cafés e restaurantes estamos tramados. Até percebemos a medida mas estamos tramados. O ano foi muito mau, faltaram muitos dos emigrantes que nos davam umas vitaminas às contas, se temos que fechar outra vez não sei quantos vão reabrir. É difícil ter uma opinião. Por um lado sim, pelo lado do comerciante não. Parecemos esquizofrénicos. É muito difícil", confessou Paula Castro.

Roberto Castro, taxista, ouve a conversa e mete a talho de foice: "Este fim de semana nem uma corrida fiz. Hoje já fiz duas para o centro de Saúde. Tudo com muitos cuidados. A cada cliente que entra ponho uns plásticos novos e tenho o gel no banco dos passageiros. Gasto mais do que o que ganho, mas dá confiança", disse.

(Por: Joana Carneiro da agência Lusa)

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