“Estou confiante em que é uma oportunidade imensa, estou confiante em que vou conseguir recuperar e que o que antes poderia não ser uma vantagem tão grande agora é uma oportunidade”, diz Rita Montez à Lusa.

Para a antiga jornalista, que há três anos deixou “a cidade e o mar” e foi para o campo recuperar a casa que os bisavós construíram há 100 anos em São João da Ribeira, no concelho de Rio Maior, a pandemia de covid-19 vai alterar o modelo de turismo que até agora existia.

“As pessoas vão valorizar muito destinos pouco massificados, vão dar muito valor às experiências, ao ar livre, ao relaxar, fazer coisas”, sustenta, considerando que o facto de ser um alojamento “pequenino”, numa zona de baixa densidade populacional e com “muita natureza” irá ser “uma vantagem enorme”.

Por isso, depois de ter concretizado “uma das mais loucas e empreendedoras ideias” da sua vida, em que transformou a propriedade onde passava as férias em criança na Casa da Avó Rosa, agora com o negócio “a zeros” e reservas canceladas até agosto, Rita Montez vai ter de voltar a empreender: “uma reformulação total, temos estado aqui a trabalhar dia e noite”.

“A meio de fevereiro tive os últimos clientes, no fim de semana do Dia dos Namorados, depois comecei a aperceber-me de que a situação era muito complicada”, conta.

Manter o negócio, que teve uma quebra de faturação de “20 e pouco por cento em fevereiro, de 40 e tal por cento em março e agora de 100%”, vai implicar a adoção de “procedimentos e regras completamente diferente”.

Sem trabalho, a antiga jornalista começou por procurar as recomendações da Direção-Geral e da Organização Mundial de Saúde para o setor e criou um “manual interno de higiene e segurança” com “um reforço imenso das regras de limpeza e das regras do próprio espaço”.

“Tinha uma cozinha e uma zona de estar que eram comuns aos seis quartos e deixaram de ser comuns. Estou a criar novas zonas de refeições separadas, o único espaço comum que vou ter é a piscina, sendo que vou criar zonas para as pessoas estarem devidamente distanciadas, com regras muito claras. Irei ser muito rígida, mesmo à entrada das pessoas, para elas também se sentirem confiantes”, afirma.

Regras e procedimentos que passam também por coisas tão simples como arranjar termómetros para todos os quartos.

“Tenho estado a ver o que têm andado a fazer na Ásia porque a hotelaria na Ásia foi a primeira a reabrir, tenho estado a tentar aprender com eles”, acrescenta, salientando que “a ideia é que todas as pessoas se sintam completamente seguras” e que a sua própria família também esteja em segurança, porque a Casa da Avó Rosa é onde vivem, ainda que num espaço independente.

O objetivo “é reabrir em maio com regras e padrões de segurança e higiene muito apertados” e aproveitar a transformação que a pandemia vai trazer ao setor do turismo.

“Tudo aquilo que antes corria contra nós acho que agora é uma vantagem enorme”, diz.

Vantagem foi também a palavra escolhida por Luís Figueira, dono da GAL - Gestão de Alojamento Local, para posicionar este setor em relação à hotelaria tradicional.

“Nós conseguimos posicionar-nos em termos de segurança e higiene melhor do que os hotéis, na medida em que é um apartamento inteiro, é uma casa inteira higienizada para aquele hóspede e não há contacto com zonas comuns, como restaurantes. A pessoa pode estar em segurança total”, afirma.

Tal como Rita Montez, o negócio de Luís Figueira parou quando a pandemia chegou a Portugal.

“A partir de 16 de março tudo parou, todas as reservas que tinha, 99% das reservas que tinha, foram todas canceladas, até porque a maior parte dos nossos clientes são estrangeiros”, relata, adiantando que a única exceção foram dois portugueses que, por motivos profissionais, alugaram uma pequena moradia em Cascais.

Luís Figueira - cuja empresa faz atualmente a gestão de 26 propriedades de alojamento local na zona de Lisboa e no Algarve, tratando de todos os serviços necessários, desde o licenciamento, obras de remodelação ou decoração, promoção, limpeza e receção dos hóspedes - reconhece que “as pessoas têm medo”.

“Tínhamos já reservas para o verão, isso aí continuam algumas […], vamos ver, o verão é o grande ponto de interrogação neste momento”, admite, fazendo votos para que se consiga voltar “ao ativo” com o fim do estado de emergência, que termina no sábado.

No Algarve, refere, a expectativa é de que “o verão consiga alguma retoma interna, o dito ‘ir para fora cá dentro’”.

“Vamos ver, ainda é muito incerto”, admite.

A covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, já provocou em Portugal quase mil mortos e mais de 25.000 pessoas infetadas.

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