Eis algumas perguntas e respostas sobre o novo coronavírus, denominado Covid-19, com base em informações do Centro Europeu de Controlo de Doenças, da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), e em peritos e investigadores chineses:

O que são coronavírus?

São uma larga família de vírus que vivem noutros animais (por exemplo, aves, morcegos, pequenos mamíferos) e que no ser humano normalmente causam doenças respiratórias, desde uma comum constipação até a casos mais graves, como pneumonias. Os coronavírus podem transmitir-se entre animais e pessoas. A maioria das estirpes de coronavírus circulam entre animais e não chegam sequer a infetar seres humanos. Aliás, até agora, apenas seis estirpes de coronavírus entre os milhares existentes é que passaram a barreira das espécies e atingiram pessoas.

O que é o novo coronavírus da China?

Trata-se de um vírus da mesma família do vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS - que provocava pneumonias atípicas e atingiu o mundo em 2002-2003) e da Síndrome Respiratória do Médio Oriente, em 2012. Tem características genéticas semelhantes às da SARS.

Estas são as principais recomendações das autoridades de saúde à população

O surto do novo coronavírus detetado na China tem levado as autoridades de saúde a fazer recomendações genéricas à população para reduzir o risco de exposição e de transmissão da doença. Eis algumas das principais recomendações à população pela Organização Mundial da Saúde e pela Direção-geral da Saúde portuguesa:

  • Lavagem frequente das mãos com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Ao tossir ou espirrar, fazê-lo não para as mãos, mas para o cotovelo ou para um lenço descartável que deve ser deitado fora de imediato;
  • Evitar contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Evitar contacto direto com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Deve ser evitado o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24).

Pode ser comparável à SARS de 2003 ou à gripe sazonal?

A SARS provocou mais de 8.000 infetados em 33 países durante oito meses e uma em cada dez pessoas morreu da doença.

O novo coronavírus já infetou dez vezes mais pessoas, mas os dados preliminares apontam para uma menor taxa de letalidade, que rondará os 2% a 3%, no momento.

Em comparação com o vírus da gripe, a doença Covid-19, apesar de apresentar sintomas semelhantes, tem características diferentes. Anualmente, cerca de 40 mil pessoas na região europeia morrem prematuramente devido a causas ligadas à gripe sazonal.

Até hoje, o surto de Covid-19 provocou mais de 3.000 mortos e infetou mais de 89 mil pessoas, de acordo com dados reportados por 67 países. Das pessoas infetadas, mais de 45 mil recuperaram.

Como se transmite?

As vias de transmissão ainda estão em investigação. A transmissão pessoa a pessoa foi confirmada, embora não se conheçam ainda mais pormenores.


A Direção-Geral de Saúde lançou um microsite informativo sobre o novo coronavírus, onde responde a várias questões frequentes e boletins atualizados da situação em Portugal. Aceda ao site aqui.


Os animais domésticos podem transmitir o Covid-19?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há evidência de que os animais domésticos, tais como cães e gatos, tenham sido infetados e que, consequentemente, possam transmitir o Covid-19.

Há grupos de maior risco?

Pessoas de todas as idades podem ser afetadas pelo novo coronavírus. Contudo, pessoas mais velhas ou com doenças crónicas (como asma ou diabetes) parecem ser mais vulneráveis a ter doença grave quando infetadas. As autoridades destacam contudo que não há ainda informações suficientes para definir as pessoas atacadas de modo mais severo.

Um estudo divulgado pelo Centro Chinês de Controlo de Doenças indica que 80% dos casos da infeção são ligeiros, que apenas 4,7% são considerados críticos e que as pessoas idosas ou com problemas de saúde prévios à infeção são as que correm mais riscos.

Quais os sinais e sintomas?

As pessoas infetadas podem apresentar sinais e sintomas de infeção respiratória aguda como febre, tosse e dificuldade respiratória. Em casos mais graves pode levar a pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos e eventual morte.

Qual o período de incubação?

O período de incubação ainda se encontra sob investigação.

Existe uma vacina?

Não existe vacina. Sendo um vírus recentemente identificado, estão em curso as investigações para o seu desenvolvimento.

Existe tratamento?

O tratamento é dirigido aos sinais e sintomas apresentados devido à infeção.

Os antibióticos são efetivos a prevenir e a tratar o novo coronavírus?

Os antibióticos não são efetivos contra vírus, apenas contra bactérias. O Covid-19 é um vírus e, como tal, os antibióticos não devem ser usados para a sua prevenção ou tratamento. Não terá resultado e poderá contribuir para o aumento das resistências a antimicrobianos.

Quando se deve fazer o teste específico para o novo coronavírus?

Na presença de sintomas de doença respiratória e se nos 14 dias anteriores o doente esteve numa região afetada ou em contacto com pessoas infetadas.

As autoridades portuguesas recomendam que se contacte o SNS24 – 808 24 24 24 – no caso de ter sintomas e ter estado em contacto com doentes e numa região afetada.

Qual o risco?

A avaliação de risco encontra-se em atualização permanente, de acordo com a evolução do surto. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças e a DGS emitem comunicados diários com o sumário da informação e recomendações mais recentes.

Em Portugal, o nível de risco para a saúde pública é moderado a elevado.

Como se pode prevenir?

A prevenção passa essencialmente por medidas de higiene e etiqueta respiratória: lavagem frequente das mãos, evitar contacto próximo com pessoas com febre ou tosse e ao tossir ou espirrar fazê-lo não para as mãos, mas antes para o cotovelo ou antebraço ou para um lenço que deve ser de imediato descartado.

Deve ainda evitar-se contacto direto com animais vivos em mercados ou áreas afetadas por surtos e o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos.

É recomendado o uso de máscaras?

Segundo a situação atual em Portugal, não está indicado o uso de máscara para proteção individual, exceto nas seguintes situações: pessoas com sintomas de infeção respiratória (tosse ou espirro), suspeitos de infeção por Covid-19 e pessoas que prestem cuidados a suspeitos de infeção.

Como viajante, o que devo fazer?

A OMS não recomenda, nesta fase, restrições de viagens e trocas comerciais para a China. Se a pessoa tiver como destino a China, deve seguir as recomendações das autoridades de saúde do país e as recomendações da OMS.

Para viajantes regressados das áreas afetadas e que apresentem sintomas sugestivos de doença respiratória, durante ou após a viagem, antes de se deslocarem a um serviço de saúde, devem ligar 808 24 24 24 (SNS24), informando sobre a sua condição de saúde e história de viagem, seguindo as orientações que vierem a ser indicadas.

É seguro receber cartas ou encomendas da China?

A OMS considera que sim. Até ao momento, não é conhecida a capacidade de transmissão da doença através do contacto com superfícies ou objetos, pelo que as precauções a ter são as relacionadas com medidas gerais de higiene.

O que é um contacto próximo?

Pessoa com exposição associada a cuidados de saúde, incluindo prestação de cuidados diretos a doente com Covid-19, contacto em ambiente laboratorial com amostras da infeção, visitas a doente ou permanência no mesmo ambiente de doente infetado pela doença.

Contacto em proximidade ou em ambiente fechado com um doente com infeção por Covid-19 (exemplo sala de aula).

Qual o risco para cidadãos europeus?

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças considera que existe, neste momento, uma probabilidade “moderada a elevada” de importação de casos nos países da União Europeia/Espaço Económico Europeu. A probabilidade de transmissão secundária na região, desde que sejam cumpridas as práticas de prevenção e controlo de infeção adequadas, é tida como muito baixa.

O pico da doença já foi atingido?

Geralmente, em doenças virais, como no caso da gripe, só se sabe quando o pico foi atingido quando há consistência na descida do número de casos.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse hoje que ninguém pode saber quando irá acontecer. “Quem avança com alguma previsão está a especular”, vincou.

Trabalhadores que tenham de ficar em quarentena em Portugal perdem salário?

Segundo um despacho do Governo, na Administração Pública não. Os trabalhadores podem ficar em regime de teletrabalho ou fazer formação à distância, sempre que aplicável. A par, os trabalhadores em quarentena por determinação de autoridade de saúde devido ao surto de Covid-19 vão receber integralmente o rendimento nos primeiros 14 dias, num regime “equiparado a doença com internamento hospitalar”, segundo um despacho publicado em Diário da República.

O montante diário a receber pelos trabalhadores que sejam colocados em isolamento será portanto de 100% nos 14 dias iniciais de ausência, após o que se aplicam as regras do regime geral do subsídio de doença, correspondendo o valor pago ao de uma baixa.

Os serviços públicos devem elaborar planos de contingência para o surto de Covid-19?

Sim, de acordo com o mesmo despacho. Os serviços ficam obrigados a elaborá-los segundo as recomendações da DGS.

Onde posso acompanhar a evolução do surto?

Johns Hopkins University disponibilizou um site onde é possível acompanhar a evolução de casos no mundo (Clique aqui). De referir que os números são atualizados diariamente, mas não em tempo real. Ou seja, a título de exemplo, um caso poderá ser confirmado em Portugal e demorar algumas horas até que seja sinalizado nesta plataforma. Todavia, isto permite ter uma visão global de como está a evoluir o número de infeções, recuperações e mortes no mundo.

(Artigo atualizado às 16:36 de 4 de março de 2020)