A notícia foi avançada por uma fonte partidária à Agência France Presse (AFP) e surge em plena crise política nacional por causa de uma aliança regional com a extrema direita.

Segundo a fonte citada pela AFP, Kramp-Karrenbauer, também conhecida por "AKK", disse numa reunião da liderança do Partido Democrata Cristão (CDU) que "não pretende ser candidata à chancelaria alemã".

A renuncia de Annegret Kramp-Karrenbauer, eleita líder do CDU em dezembro de 2018, surge na sequência da eleição do liberal  no Estado da Turíngia (leste da Alemanha) graças a uma concertação de votos inédita entre os representantes conservadores locais da União Democrática Cristã (CDU, a força política da chanceler alemã, Angela Merkel) e os membros locais da Alternativa para a Alemanha (AfD, partido de extrema-direita).

Thomas Kemmerich acabaria por se demitir dias depois da eleição. “Estou a anunciar a minha demissão como ministro-presidente da Turíngia com efeitos imediatos”, disse Kemmerich.

A eleição no Estado da Turíngia fez ainda uma baixa no governo central alemão: Christian Hirte, que era até à data secretário de Estado do Ministério da Economia e da Energia e comissário do governo para os Estados do leste da Alemanha.

Foi a primeira vez na história da Alemanha pós II Guerra Mundial que um chefe de um governo regional foi eleito com o apoio da extrema-direita, bem como a primeira vez que fações moderadas e radicais votaram concertadas neste tipo de eleição.

Esta eleição aconteceu após meses de negociações locais infrutíferas para tentar formar uma coligação maioritária depois de um escrutínio regional realizado no outono.

Em outubro de 2019, o partido Die Linke (A Esquerda, de esquerda radical), do então chefe do governo do Estado, Bodo Ramelow, ganhou as eleições por uma pequena margem. O escrutínio ficaria igualmente marcado por um grande impulso da AfD naquela região.

Nenhum partido quis governar com a AfD, o que tornou impossível a construção de uma maioria.

Após a controversa eleição, Angela Merkel qualificou como “um ato imperdoável” a aliança eleitoral inédita e o seu partido chegou a exigir a realização de um novo escrutínio.

Angela Merkel é a chefe do governo alemão há 15 anos e líder da CDU há 20. Anunciou, a 29 de outubro de 2018, a intenção de não se recandidatar à liderança do partido.

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