“A marcha lenta surge na sequência de dois anos difíceis para o setor, com os aumentos na energia, combustíveis e nos fatores de produção, e a dificuldade de os agricultores conseguirem refletir esses aumentos nos preços de venda dos produtos”, explicou Sérgio Ferreira, presidente da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO), uma das quatro organizações promotoras da iniciativa.

Entre março de 2021 e março deste ano, os custos com os fatores de produção aumentaram 166,5% e a eletricidade, necessária para combater o período de seca, 28,7%, referiram estas organizações, citando dados oficiais.

Só no primeiro trimestre deste ano, acrescentaram, o gasóleo simples aumentou 33% e o gasóleo verde 43%, sendo indispensáveis às tarefas mecanizadas e à rega na agricultura, assim como às atividades logísticas do setor.

Citando dados do Instituto Nacional de Estatística, as organizações promotoras da marcha lenta alertaram para variações negativas nos índices de preços dos hortícolas frescos e da batata comparando 2021 e 2022, sendo de -25,6% nos hortícolas e de -20,3% na batata entre janeiro de cada ano.

Com a marcha lenta, os agricultores pretendem “sensibilizar a opinião pública para a real situação do setor”, afirmou o dirigente, sublinhando que os agricultores estão a “atravessar um momento como ninguém viu”.

Apesar das conversações que têm vindo a ter com o Ministério da Agricultura, os agricultores sentem que “as medidas anunciadas pelo Governo não vão ao encontro das necessidades do setor”, disse o presidente da AIHO, exemplificando que, “numa semana em que são anunciadas baixas no preço dos combustíveis, o gasóleo agrícola aumentou três cêntimos”.

Como soluções, os agricultores pedem apoios diretos ao consumo de combustíveis e da eletricidade, isenção de impostos no gasóleo agrícola à semelhança do que acontece na pesca, investimentos do Governo em infraestruturas de armazenamento de água para combater os períodos de seca e uma efetiva regulação dos preços dos produtos agrícolas.

“A Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar existe, mas não se notam os efeitos da sua intervenção, porque não está a existir uma justa distribuição dos valores em toda a cadeia”, sustentou.

Sérgio Ferreira disse que, na última campanha de couves, “centenas de hectares de couves não foram colhidos e foram destruídos no próprio terreno” por falta de rentabilidade para o produtor, havendo o risco de abandono da atividade.

A AIHO, a Louricoop, a Adega Cooperativa da Lourinhã e a Cooperativa Agrícola de Peniche, promotoras da marcha lenta, têm reunião marcada na quarta-feira à tarde com o secretário de Estado da Agricultura.

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