Neste sábado, o presidente russo Vladimir Putin celebrou em Moscovo o 75º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial e homenageou as vítimas e os veteranos. A sua imagem, solitária, a depositar flores no túmulo do soldado desconhecido, reflete perfeitamente a crise que afeta o planeta.

O dia 9 de maio, com o seu habitual e grandioso desfile militar, simboliza tradicionalmente a ofensiva do presidente russo para restaurar a imagem internacional de superpotência de seu país. Desta vez, depois de depositar rosas diante do túmulo do soldado desconhecido, Putin elogiou num breve discurso o dia "sagrado" e a memória dos veteranos, sem citar a pandemia na Rússia.

"Sabemos e acreditamos firmemente que somos invencíveis quando estamos unidos", disse o presidente no discurso exibido pela televisão.

A epidemia obrigou o país a abrir mão do grande desfile militar previsto para este sábado perante vários líderes estrangeiros. Apenas a parte aérea do desfile foi mantida, com dezenas de caças sobrevoando Moscovo.

Putin está confinado há semanas em sua residência na região de Moscovo. A Rússia se aproxima de 200.000 casos confirmados de coronavírus e regista 1.827 mortes, de acordo com o balanço oficial. A pandemia obrigou o presidente a adiar por tempo indeterminado outro evento essencial: o referendo constitucional que abriria as portas para uma possível permanência no poder até 2036.

Putin deposita flores no túmulo do soldado desconhecido

Ao mesmo tempo, um desfile militar foi organizado neste sábado noutra ex-república soviética, Belarus, cujo presidente Alexander Lukashenko chama de "psicose" à crise de saúde mundial. Aqui, o desfile aconteceu diante de uma multidão e contou com a participação de 4.000 soldados e dezenas de veículos militares.

"Agora, a disciplina social é mais necessária do que nunca"

Em outros países, a asfixia económica obriga a pensar num retorno progressivo, mas extremamente cauteloso, à normalidade.

Na China, onde a pandemia surgiu em dezembro, o governo autorizou, sob várias condições, a reabertura de centros comerciais, restaurantes, cinemas, instalações desportivas, locais turísticos e bibliotecas.

Na Europa, o continente mais afetado pela doença, com 153.000 mortos, países como Alemanha, Itália, Espanha e França começam a sair do confinamento, mas sem muitas certezas e com várias dúvidas.

A Comissão Europeia pediu na sexta-feira aos 27 países membros da UE que não permitam as entradas no seu território até 15 de junho.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu uma grande prudência porque existe um elevado risco de uma segunda onda de contágios, caso as regras de higiene e de distanciamento social não sejam respeitadas.

Na Espanha, com exceção de Madrid e de Barcelona, as zonas mais afetadas, os cidadãos poderão reunir-se a partir de segunda-feira em grupos de até 10 pessoas, permanecer em terraços com capacidade limitada ou visitar lojas sem a necessidade de agendamento.

O governo também permitirá funerais e velórios.

"Agora, a disciplina social é mais necessária do que nunca", advertiu o ministro da Saúde, Salvador Illa.

A Espanha, com mais de 26.000 mortes provocadas pelo coronavírus, prevê um plano de desconfinamento por fases até o fim de junho.

Na Alemanha, onde a flexibilização do confinamento já começou, o campeonato de futebol (Bundesliga) vai recomeçar. Na França, o primeiro-ministro Edouard Philippe insistiu que "a vida depois de 11 de maio", data em que começará uma volta progressiva à normalidades, "não será como antes".

O país reabre parcialmente as escolas na segunda-feira, um quebra-cabeça para as autoridades e que provoca inquietação nas famílias.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson fará uma comunicação no domingo e pode anunciar uma leve flexibilização do confinamento, mas não são aguardados grandes anúncios no país que regista mais de 31.000 mortes, o  balanço mais trágico da Europa e o segundo mais grave do mundo, depois dos Estados Unidos.

"Seremos muito, muito prudentes quando começarmos a suspender as restrições, porque os dados que temos a cada dia mostram que não estamos livres", afirmou o ministro do Ambiente, George Eustice.

"Neste momento de crise de saúde e dor, penso na Europa como a nossa casa comum, o nosso lar, o nosso refúgio"

Neste sábado, Dia da Europa, os 27 chefes de Estado e de Governo da UE apelaram à solidariedade para que o bloco saia mais forte da crise do coronavírus, apesar das dificuldades para formular uma resposta comum à calamidade.

"O nosso objetivo é que a Europa saia mais forte da pandemia e da crise da COVID-19", pediu num vídeo conjunto a chanceler alemã Angela Merkel.

"Neste momento de crise de saúde e dor, penso na Europa como nossa casa comum, nosso lar, nosso refúgio", afirmou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

Nos Estados Unidos, país mais afetado do mundo pela COVID-19, foram registadas 1.635 mortes na sexta-feira, o que elevou o balanço a 77.000 vítimas fatais, mas vários estados começaram a flexibilizar o confinamento.

Na sexta-feira, o país publicou um índice de desemprego de 14,7% em abril, dado que não era registado há quase um século.

Mais de quatro meses depois do surgimento do novo coronavírus, nenhum tratamento demonstrou eficácia até o momento, mas começam a aparecer alguns dados positivos entre os mais de 800 testes clínicos em curso em países como China, Estados Unidos ou França.

Vários tratamentos estão a ser testados, como o remdesivir, um antiviral experimental contra o ébola que consegue bloquear a replicação de outros vírus, incluindo o RNA, que inclui os coronavírus. A eficácia contra a COVID-19, no entanto, ainda precisa ser demonstrada.

Também estão sendo organizados testes com a hidroxicloroquina, um derivado da cloroquina, que atua contra muitos vírus, entre eles o Sars-CoV-2 (nome científico do coronavírus), com os tratamentos usados em pacientes de sida e alguns cientistas avaliam a eficácia das transfusões de plasma sanguíneo de pacientes curados.

Na América Latina, o Brasil é o país mais afetado pela pandemia com quase 150.000 casos e se aproxima de 10.000 mortes. Na sexta-feira foram registadas 751 vítimas fatais por coronavírus, o recorde em 24 horas.

Os dados são questionados por alguns cientistas, que temem um balanço real de casos até 15 vezes superior ao oficial, pela incapacidade do país de realizar testes generalizados.

No México, o subsecretário de Saúde, Hugo López-Gatell, negou a existência de um dado real oculto de mortes por coronavírus na capital do país, que seria três vezes superior à oficial, como apontou o jornal americano The New York Times.

O governo mexicano anunciou um balanço de 31.522 casos positivos e 3.160 mortes por COVID-19. Na capital, Cidade do México, são 696 vítimas fatais.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) prevê que a pandemia terá repercussões devastadoras no mercado de trabalho da América Latina e afetará os mais pobres, aumentando a desigualdade na região.

O estudo, realizado em coordenação com Universidade de Cornell nos Estados Unidos em 17 países entre 27 de março e 30 de abril, apresenta dados preocupantes de desemprego, fecho de negócios familiares, interrupção do envio de remessas familiares do exterior ou desnutrição infantil.

Os mais pobres perdem os empregos porque "trabalhar de casa é um luxo que muitos lares de baixo rendimento não podem se permitir", afirma o relatório do BID.

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