Em 26 de janeiro do ano passado, Francisco Rodrigues dos Santos tornou-se, aos 31 anos, o 10.º presidente do CDS-PP, tendo a sua comissão política nacional sido eleita com 65,7% dos votos dos delegados ao 28.º congresso nacional do partido, que decorreu em Aveiro.

Até então, representava o CDS na Assembleia Municipal de Lisboa e era presidente da Juventude Popular (JP). Nas eleições legislativas de 2019, foi o segundo candidato na lista pelo Porto, atrás da cabeça de lista Cecília Meireles.

O arranque da direção do até então presidente da JP foi atribulado, e ficou marcado pela demissão do ex-vogal da comissão executiva, Abel Matos Santos, em fevereiro do ano passado, ao fim de duas semanas de mandato, na sequência de declarações polémicas.

Ao longo do ano de mandato de Rodrigues dos Santos, a maioria das sondagens publicadas têm sido desfavoráveis ao CDS, partido que nas últimas legislativas, em 2019, viu o seu grupo parlamentar reduzido a cinco deputados.

O presidente dos centristas tem desvalorizado estas projeções, argumentando que os resultados eleitorais costumam ser melhores do que aquilo que é antecipado e rejeitado as previsões sobre a morte do partido.

Nas eleições legislativas regionais de outubro do ano passado, o CDS-PP manteve-se como o terceiro partido com maior representação no parlamento regional, mas perdeu um dos quatro mandatos conquistados há quatro anos, alcançando 5,5% dos votos.

Esta eleição ditou a saída do PS da liderança do Governo Regional, lugar que é agora ocupado por PSD, CDS-PP e PPM, que têm um acordo de incidência parlamentar com o Chega.

No executivo do arquipélago dos Açores, o líder regional centrista, Artur Lima, ocupa a vice-presidência e o partido lidera também a Secretaria Regional do Ambiente.

Desde o congresso que a atual direção tem sido alvo de críticas, que se foram fazendo ouvir internamente mas também na comunicação social, entre as quais pelas vozes do antigo ministro António Pires de Lima, do antigo vice-presidente Adolfo Mesquita Nunes e também do deputado João Almeida.

Na relação com o grupo parlamentar houve também alguns momentos de tensão, como quando Rodrigues dos Santos criticou o apoio do primeiro-ministro à recandidatura do presidente do Benfica, que o líder parlamentar, Telmo Correia, também apoiou, ou mais recentemente quando o CDS se absteve na votação de uma declaração do estado de emergência, por indicação da direção, uma decisão que foi criticada por dois deputados.

João Gonçalves Pereira, deputado e líder da distrital de Lisboa, defendeu que a deputada Cecília Meireles seria uma boa opção para nova líder do partido, mas a parlamentar também já chegou a ser desafiada por alguns dirigentes a ceder o lugar no parlamento a Francisco Rodrigues dos Santos, opção afastada pelo líder.

Desde o congresso que o presidente tem salientado que o seu objetivo é unir o partido, vontade ilustrada com o convite a Filipe Lobo d'Ávila (seu opositor na corrida à liderança do partido) e a António Carlos Monteiro (que foi apoiante de João Almeida) para vice-presidentes.

Rodrigues dos Santos herdou o partido com uma situação financeira complicada, com um passivo de cerca de 1,3 milhões de euros, tendo sido anunciado em junho do ano passado “uma auditoria às decisões políticas” do último ano da liderança de Assunção Cristas.

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