Estamos em contrarrelógio na luta contra a covid-19 e o principal objetivo de vários países é vacinar o mais rápido possível o maior número de pessoas. Esta necessidade tem dado lugar a ideias engenhosas, desde um avião exclusivo para o transporte de vacinas contra a covid-19 ou catedrais, campos de futebol e até a Disneyland transformadas em centros de vacinação.

A necessidade de soluções foi o que levou a Tecnam, uma empresa aeronáutica italiana que produz peças de aviões para outros fabricantes e que também desenvolve aviões ligeiros, a adaptar o modelo de um pequeno avião com o objetivo de transportar a vacina contra a covid-19 por via aérea.

A vacina tem de ser armazenada e transportada a uma temperatura extremamente baixa e, segundo a farmacêutica a Pfizer, depois de descongeladas, as vacinas podem ser armazenadas a temperaturas entre os 2 e 8°C durante cinco dias antes de se deteriorarem. Por isso, a Tecnam fez uma parceria inesperada e juntou-se a um fabricante italiano de congeladores, a Desmon, para encontrar uma solução para o problema, segundo conta o site Jalopnik.

Os assentos dos passageiros foram removidos para criar uma versão de carga que apresenta o que se chama um 'ultracongelador'. Desta forma, o pequeno avião, denominado TravelCare P2012, pode transportar até 115 mil doses de vacinas por viagem.

Por ser mais pequeno, o TravelCare tem muito mais flexibilidade em relação aos de locais de aterragem e, segundo a Tecnam, pode fazê-lo em pisos de terra, relva ou pistas de cascalho, que seriam perigosas para aviões maiores. Além disso, é muito mais rápido do que uma carrinha ou um camião e evita também transferências múltiplas das vacinas.

Não é a primeira vez que a Tecnam equipa as suas máquinas a posteriori para lhes atribuir outros destinos – aviões concebidos para evacuação médica, vigilância aérea e fotografia aérea –, o transporte de vacinas é mais uma adição e poderá servir também de inspiração para outros fabricantes.

Catedrais transformadas em centros de vacinação

Quem julga que catedrais são apenas locais de fé está equivocado, pois em tempos de pandemia nem tudo é só o que parece e a catedral de Salisbury, no Reino Unido, é a prova disso.

Durante a pandemia ficou de lado a liturgia e a catedral, com mais de oito séculos, foi transformada num centro de vacinação anti-covid, tendo aberto as suas portas pela primeira vez para o efeito no sábado passado.

Mas há que aproveitar as valências do espaço, pelo que os organistas da Catedral, o diretor de música David Halls e o diretor assistente de Música John Challenger tocaram para aqueles que esperavam ou que levavam a vacina.

"Estamos orgulhosos de participar na campanha de vacinação que salva vidas e esperamos ver a equipa do NHS [serviço nacional de saúde britânico], voluntários, e ainda mais dos nossos vizinhos na Catedral. Aqui receberão uma calorosa receção, descobrirão um belo lugar, e partirão com nova esperança – e com as nossas orações", disse o reverendo Nicholas Papadopulos, reitor de Salisbury, citado pelo site da Catedral.

Antes, também já a gótica Catedral Anglicana de Lichfield, com nove séculos, se tinha transformado num centro massivo de vacinação, onde centenas de reformados receberam a sua primeira dose da Oxford-AstraZeneca.

Uma das últimas a abrir as suas portas foi a Catedral Blackburn, onde sob a sua cripta serão administradas vacinas durante doze horas por dia, sete dias por semana, a milhares de pessoas.

O governo britânico foi o primeiro a iniciar a vacinação com a Pfizer, a 8 de dezembro. No último domingo, o presidente-executivo do serviço nacional de saúde britânico, Simon Stevens, revelou à BBC que estariam a ser vacinadas 140 pessoas por minuto. Até domingo já tinham sido vacinadas 4.062.501 pessoas, nomeadamente idosos com mais de 80 anos, trabalhadores e residentes de lares e profissionais de saúde.

Depois de a maioria das pessoas com mais de 80 anos terem sido vacinados, na segunda-feira, o governo britânico anunciou que estenderia a campanha de vacinação a maiores de 70 anos e pessoas de alto risco.

O objetivo é vacinar todos os idosos, pessoas de risco e profissionais de saúde até 15 de fevereiro, o que aponta para uma média de vacinação de dois milhões de doses por semana.

Para tal, além das catedrais também a praça de alimentação no centro comercial Norwich's Castle Quarter, o Hipódromo de Taunton, o estádio Totally Wicked Stadium de St Helens em Merseyside, o centro de congressos Bournemouth International Centre foram recentemente transformados em centros de vacinação em massa.

Foi também para acelerar o processo que o Reino Unido foi o primeiro país a adotar centros de vacinação drive-through. Os carros alinham-se junto ao local onde as seringas são enchidas e um a um, os profissionais baixam-se para falar com os condutores através dos vidros do carro sobre a vacina que lhes será administrada. Sem sair do carro, basta estender o braço e levar a injeção.

A ideia foi também adotada pelos Estados Unidos.

Nos EUA, o Dodger Stadium, em Los Angeles, o maior centro de testagem do mundo, foi também transformado num centro de vacinação que pretende vacinar cerca de 12 mil pessoas por dia.

“O local mais feliz do mundo”, a Disneyland, encerrada há mais de dez meses, também abriu as portas e deu lugar a um centro de vacinação massivo.

Tudo isto para atingir um único objetivo: recuperar o controlo da situação e travar a propagação da covid-19.

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