“Em rigor, acho que o meu cliente devia ser absolvido […], mas admito que possa ser condenado por homicídio por negligência consciente”, disse Melo Alves, no fim das alegações finais, que foram hoje retomadas no Campus da Justiça, no Parque das Nações, em Lisboa.

De acordo com o advogado, quem infringiu as regras da estrada não foi Luís Pina, mas sim Marco Ficini, criticando a investigação da Polícia Judiciária.

“Critiquei a investigação, porque penso que este tipo de processo, esta dinâmica que aconteceu no acidente – que foi um acidente de viação independentemente de ser doloso ou não -, a verdade, é que a Polícia Judiciária não estava vocacionada para investigar este tipo de acidentes”, afirmou.

Para Melo Alves, devia ter sido outro departamento, como a GNR, a investigar o acidente, porque houve elementos que não foram investigados, como a velocidade do carro do arguido e dinâmica da ocorrência.

“A Polícia Judiciária preocupou-se apenas em saber que era o condutor do veículo. O meu cliente disse quem era o condutor, esse ponto ficou ultrapassado e desde aí não se investigou mais nada e o que se investigou foi mau”, salientou.

Em 02 de março, Ministério Público (MP) pediu a condenação de Luís Pina, no caso do atropelamento mortal do adepto italiano junto ao Estádio da Luz, pelos crimes de homicídio por dolo eventual, omissão de auxílio e ofensas à integridade física.

Durante as alegações finais, a procuradora do MP deixou cair as acusações sobre os restantes 21 arguidos acusados de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

Os factos remontam à madrugada de 22 de abril de 2017, quando Marco Ficini, que pertencia à claque do clube italiano Fiorentina 'O Club Settebello' e era adepto do Sporting, morreu após um atropelamento e fuga junto ao Estádio da Luz, horas antes de um jogo entre o Sporting e o Benfica.

Durante os confrontos e perseguições entre adeptos do Sporting e do Benfica, Luís Pina, de 35 anos e com ligações à claque do Benfica 'No Name Boys' atropelou mortalmente Ficini, “arrastando o corpo por 15 metros”, imobilizando o carro só “depois de ter passado completamente por cima do corpo da vítima”, descreve a acusação, acrescentado que o arguido abandonou o local “sem prestar qualquer auxílio”.

O Ministério Público acusou, em outubro de 2017, 22 arguidos (10 adeptos do Benfica com ligações aos ‘No Name Boys’ e 12 adeptos do Sporting da claque ‘Juventude Leonina’) pelo atropelamento mortal de Ficini.

Luís Pina está acusado do homicídio de Marco Ficini e de outros quatro homicídios, na forma tentada, enquanto os restantes arguidos estão acusados de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

A leitura do acórdão do processo foi agendada para 30 de outubro às 14:30.

(Artigo corrigido às 16:57 — Retifica, no último parágrafo, o mês em que vai decorrer a leitura da sentença, que é em outubro e não em setembro, como se lia numa versão anterior deste texto)

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