Nuno Barata, com quem o PSD assinou um acordo de incidência parlamentar no início da legislativa, falava durante uma intervenção política no plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), que começou hoje na cidade da Horta, ilha do Faial.

“Compreendemos algumas dificuldades, mas não podemos continuar a definir políticas para o futuro dos Açores constantemente falando do passado. O passado é passado. Olhemos o futuro. Este é um modo fazer política vetusta, perniciosa e não serve interesse dos açorianos”, avisou.

O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, manifestou a “profunda convicção” de que é “saudável” a atitude que “não prescinde de escrutínio, de diálogo e da dialética que se impõe na pluralidade democrática resultante do último ato eleitoral das legislativas nos Açores”.

No arquipélago, PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação após as legislativas regionais de 2020.

A coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega e o PSD um acordo de incidência parlamentar com a IL.

Nuno Barata lembrou hoje que, há um ano, a IL defendeu um “governo mais rigoroso nas decisões e com uma postura democrática”, observando que se encontram agora “alguns tiques de prepotência e arrogância”.

“Há um ano, defendemos uma redução do aparelho político administrativo. Temos assistido à captura da administração pública e a uma corrida desenfreada por novas clientelas políticas”, lamentou.

O deputado disse que, do atual governo, a IL espera mais “rigor, transparência, empenho, criatividade, humanismo”.

“Desde Governo esperamos menos caciquismo e menos clientelismo”, frisou.

Nuno Barata quis ainda deixar claro que “a IL não é uma extensão dos grupos parlamentares do PSD, PPM, CDS”.

Já o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, avisou não ser possível “prescindir de prioridades máximas, entre elas a salvaguarda das obrigações e compromissos assumidos pela região”.

“Não apenas na dívida bancária, mas também da dívida real”, observou.

Para o presidente do Governo açoriano, tal “é condicionador de visões mais ousadas”.

“A declaração política do deputado da IL quando aponta para que haja mais perspetiva reformista do Governo. Estamos associados [a essa perspetiva]”, observou.

Quanto à necessidade de uma “menor intervenção” do Estado, Bolieiro disse aguardar pela “resposta das empresas”.

“Se temos deixado quase sempre os mesmos e reiterados avisos, infelizmente é porque continua a haver espaço para que tenhamos de reiterar. Isso era o que esperávamos que já não fosse necessário”, respondeu Nuno Barata.

O líder da bancada do PSD, João Bruto da Costa, deu razão ao deputado da IL por este ter enaltecido “o facto de vivermos nos Açores um tempo novo, com uma nova forma de governar e relacionamento entre forças políticas”.

“Desde logo, na assinatura de acordos de incidência parlamentar para governar com estabilidade. São esses acordos que estamos empenhados em cumprir e fazer cumprir que nos permitem hoje estar a debater a sua declaração política, na véspera de um ato eleitoral para a Assembleia da República”, afirmou.

Para Bruto da Costa, “o que importa salientar” é a atual “conjuntura que permite, através do diálogo, da concertação, melhorar a vida dos Açores e dos açorianos”.

António Lima, do BE, considerou a declaração político de Barata como tendo um “tom de aviso à coligação [de governo]”.

“Mas há um elogio que estranho que faça – o elogio de que temos uma região mais livre. Ao mesmo tempo, fala [o deputado da IL] do clientelismo, do caciquismo, do controlo das máquinas partidárias da coligação. Ao mesmo tempo que se elogia a liberdade, avisa-se para práticas deste tipo”, vincou.

António Lima criticou também a “caças às bruxas, que o presidente do Governo disse que não existiriam”, e o “caciquismo, clientelismo e controlo das máquinas partidárias”.

“É isso que se vê”, vincou.

“Uma região mais livre é coisa que não temos”, acrescentou, criticando a “partidarização crescente do governo e da administração pública”.

Catarina Cabeceiras, do CDS-PP, destacou que, “ao longo do último ano, tem havido uma dinâmica parlamentar muito diferente que tem trazido benefícios para os Açores e açorianos”.

“Temos um governo com vontade e abertura para resolver problemas de muitos açorianos. Certamente que há muito a fazer, mas interessa darmos passos seguros para termos uns Açores melhores”, defendeu.

Para Catarina Cabeceiras, “ainda bem que a IL faz avisos ao Governo”.

“Tem de haver espírito crítico dos partidos que apoiam o Governo. Mau era quando os deputados do PS achavam que o governo fazia tudo bem”, observou.

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