Nascido no Porto há cinco anos, o Desobedoc quis provar que “era possível abrir salas de cinema encerradas e criar espaços onde filmes e documentários pudessem ser vistos, partilhados, discutidos”.

“O Trindade, cinema que esteve fechado durante anos e onde nasceu esta mostra, foi, entretanto, devolvido à cidade. O Cinema Batalha, reaberto temporariamente pelo Desobedoc, está agora em vias de voltar a funcionar em permanência como Casa de Cinema”, refere uma nota de imprensa.

Este ano, o Desobedoc - que é organizado pelo Bloco de Esquerda - chega à cidade de Viseu, concretamente ao cinema Ícaro (que encerrou em 2005), e integra mais de duas dezenas de filmes, documentários, performances, conversas, concertos e exposições.

“Nada disto é um acaso. A cultura tem sido o parente pobre do orçamento. Se é verdade que passou a haver ministério, falta uma estratégia, recursos e capacidade de pensar o país como um todo”, considera a organização.

No caso do interior do país, “o acesso à cultura – ao património e à criação artística – é ainda mais limitado”, apesar de haver “grupos, companhias, cineclubes, associações e espaços que resistem”, faltando “uma resposta pública que chegue a todos e o compromisso do Estado central e local”, sublinha.

Quando se comemoram os 50 anos do maio de 68, “o Desobedoc multiplica-se” e, além de Viseu, também Braga, Coimbra, Évora e Vila Real acolherão “filmes sobre trabalho e sobre diversidade, sobre colonialismo e lutas pelo ambiente, sobre a vaga feminista e sobre o golpe brasileiro, sobre a intersecção das lutas e sobre o legado do espírito de desobediência de 68”.

“Teremos conversas, música, performances e exposições”, tudo com entrada livre, acrescenta.

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