Em comunicado, a Direção-Geral da Saúde informa que foi validado um caso suspeito de infeção por novo Coronavírus (COVID-19) em Portugal, após avaliação clínica e epidemiológica.

Trata-se de um doente proveniente de Milão, que foi encaminhado para o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ). A unidade é um dos hospitais de referência para estas situações.

O doente ficará internado e serão realizadas colheitas de amostras biológicas para análise pelo CHUSJ, que começou a fazer testes para COVID-19 na noite de 23 de fevereiro.

Está marcada uma conferência de imprensa, hoje, às 17h30, da Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, para fazer o ponto de situação relativamente à infeção por novo coronavírus (COVID-19).

Trata-se do 14º caso suspeito em Portugal, tendo os restantes 13 tido resultado negativo.

O 13º caso, cujos resultados foram conhecidos esta manhã, tratava-se de um cidadão proveniente de Milão, que foi ontem encaminhado para o Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, tendo as suas análises laboratoriais sido realizadas pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), "com duas amostras biológicas negativas".

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) avisou hoje que o mundo tem de se preparar para uma “eventual pandemia” do novo coronavírus, considerando “muito preocupante” o “aumento repentino” de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.

"Devemos concentrar-nos na contenção [da epidemia], enquanto fazemos todo o possível para nos prepararmos para uma possível pandemia", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa em Genebra.

A Comissão Europeia anunciou entretanto a mobilização de 230 milhões de euros para apoiar a luta global contra o coronavírus Covid-19 e, face aos desenvolvimentos em Itália, solicitou ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças uma reavaliação de risco.

Em Itália foi instalado um cordão sanitário à volta de 11 cidades do norte do país, o coração económico do país, para conter a disseminação do novo coronavírus, que já matou seis pessoas no país.

Os casos em Itália estão para já circunscritos a quatro regiões: Lombardia, Veneto, Emilia Romanha, Piemonte e Lácio.

O surto repentino de novos casos de coronavírus, passando de 6 para 219 o número de infetados em quatro dias, faz da Itália o país mais afetado da Europa e o terceiro do mundo depois da Coreia do Sul e da China.

A primeira morte de um italiano - e a primeira de um europeu - foi anunciada sexta-feira numa vila perto de Pádua, em Veneto.

O primeiro infetado da Lombardia é um homem de 38 anos, Mattia, funcionário da multinacional anglo-holandesa Unilever, em Casalpusterlengo.

A origem de sua contaminação continua a ser um mistério, segundo o Ministério da Saúde italiano.

Na China, país onde se registaram os primeiros casos, o número de mortos devido ao Covid-19 subiu hoje para 2.592 na China continental, e foram reportados 409 novos infetados, fixando o total no país em 77.150.

As recomendações da DGS para quem esteve ou irá deslocar-se a Itália

Reconhecendo que “muitas pessoas de Portugal estiveram em Itália nos últimos dias, nas últimas semanas, sobretudo nos últimos 14 dias, que são os dias que interessam", a diretora-geral da Saúde fez questão  “deixar uma palavra de tranquilidade a estas pessoas, mas dizer-lhes também que estejam atentas”.

“Se estão assintomáticas, [devem] estar atentas ao aparecimento eventual de sintomas, sobretudo se estiveram com doentes em Itália”, disse Graça Freitas.

“Vamos publicar no nosso ‘site’ as áreas afetadas [em Itália] para as pessoas poderem saber quais são os focos onde a doença está presente”, anunciou ainda, "para que as pessoas não pensem que é a Itália inteira que está no mesmo nível de risco".

De acordo com o nível de risco que for determinado através das conversações com as autoridades italianas, a DGS vai reunir a sua ‘task-force’ dedicada ao combate ao COVID-19 "para analisar esse risco mais objetivamente, percebendo o que se está passar exatamente, quais são as zonas afetadas, e, em função disso, tomar-se-ão as medidas que forem consideradas pertinentes e necessárias", disse Graça Freitas. "Muitas vezes, temos que tomar estas medidas em alinhamento com outros países da União Europeia", acrescentou.

A quem regressou recentemente de Itália, Graça Freitas aconselha “tomar aquelas precauções básicas de higiene das mãos, higiene respiratória, não tossir nem espirrar em direção a outras pessoas ou até mesmo falar, manter algum distanciamento social”, mas também “não frequentar sítios fechados e com muita gente, a não socializar em termos de afetos. Muitos beijos e muitos abraços não serão o mais indicado nesta altura”, disse.

“Pelo menos, nos próximos dias, até nós entendermos bem o que se está a passar em Itália, nomeadamente como é que este foco se instalou, como é que a doença poderá ter iniciado”, sublinhou.

Insistindo para que “as pessoas se mantenham tranquilas”, a diretora-geral da Saúde sublinha que quem eventualmente tenha sintomas - que incluem febre, dores no corpo e cansaço - deverá contactar a linha SNS24 através do número 808 24 24 24.

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