Em declarações à Lusa, Delfim Rodrigues explicou que o serviço do bloco de partos está a ser assegurado por 11 enfermeiros "que obtiveram o título quando a carreira previa o grau de especialista [antes de 2009]", sendo que os restantes 21 profissionais de enfermagem, dos 32 afetos àquele serviço, estão em "greve de zelo".

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, disse ao início da manhã, que o bloco de partos do Hospital de Guimarães encerrou por falta de enfermeiros especialistas em virtude do início do protesto daqueles profissionais que, a partir de hoje, em alguns hospitais do país, se recusam a prestar cuidados diferenciados, contra o não pagamento desta especialização.

O bloco "está a funcionar a 100% e nós nunca colocámos, nem vamos colocar, a questão de encerramento do bloco de partos. Trata-se de atos de urgência que envolvem duas vidas, seria um retrocesso civilizacional encerrar o bloco de partos", afirmou Delfim Rodrigues.

Segundo o responsável, "o Hospital de Guimarães tem 32 enfermeiros nesta área, especializados com formação em obstétrica", sendo que "21 com título da Ordem depois de 2009 e 11 que obtiveram o titulo quando a carreira previa o grau de especialista".

"São estes 11 que estão a assegurar o funcionamento do bloco de partos", adiantou.

Questionado sobre se a falta de 21 enfermeiros ao serviço especializado pode levar à transferência de pacientes para outras unidades hospitalares, Delfim Rodrigues esclareceu que no que toca à realização de partos não.

"Por parto ninguém vai ser transferido, poderão existir situações de patologia obstétrica que eventualmente poderão ser transferidos, mas isso é uma situação normal no Sistema Nacional de Saúde", respondeu.

Em média, o Hospital de Guimarães realiza dois mil partos por ano.

Os enfermeiros especialistas recusam-se, a partir de hoje, a prestar cuidados diferenciados, como protesto contra o não pagamento desta especialização, sendo os blocos de parto a área mais visível desta contestação.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros, que apoia os profissionais neste protesto, existem cerca de 2.000 enfermeiros que, apesar de serem especialistas, recebem como se prestassem serviços de enfermagem comum.

Para dar voz a esta reivindicação, foi criado o movimento EESMO (Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia), o qual organizou quarta-feira uma vigília frente à residência do primeiro-ministro.

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