Reconhecido pelas aparições na televisão ao longo dos últimos quatro anos e sempre colado à ideia do "Partido dos Animais", André Silva teve na tarde de hoje a sua primeira arruada bem conseguida da campanha, num centro de Barcelos cheio de gente.

Ao som do vira minhoto e acompanhado por uma pequena comitiva de uma dezena de militantes, o cabeça de lista do PAN por Lisboa foi à procura de conquistar votos à esquerda e à direita, distribuindo folhetos, sempre seguido da pergunta: "O que é que acha do trabalho do PAN?".

"Acho bem, porque tenho um cão e vocês são pelos animais", respondeu Gracinda.

À agência Lusa, a habitante de Barcelos disse que vai votar no PAN, que gosta "muito dos animais" e que quer ver as touradas abolidas, depois de o voto ter ido para o PS nas últimas eleições.

Pelo mesmo caminho, vai a sua amiga, Conceição. "Também vou votar no PAN", referiu.

Junto à feira das velharias de Barcelos, foi a vez de um eleitor social democrata admitir que ainda "vai reconsiderar" o seu voto até ao dia 06 de outubro.

"Costumo apostar no PSD, mas vossas excelências devem ser idênticos, embora com outras orientações, outra estrada e outro caminho para navegar, Mas sem água nem conseguimos navegar", disse.

André Silva frisou que o PAN é o único partido "a falar do problema da água e da seca", pedindo ao contabilista reformado, que "ainda sabe fazer contas", "apenas um voto. Só um".

Logo de seguida, enquanto distribuía mais um folheto, André Silva encontrou "um adversário e um amigo", o deputado social democrata Joel Sá, eleito pelo círculo de Braga.

"Vieste aqui hoje", perguntou o deputado do PSD.

"Claro, para tirar votos ao PSD", respondeu André Silva, ao que o deputado Joel Sá contrapôs, dizendo que não achava que o PAN conseguisse roubar votos ao PSD em Barcelos, que "é terra social democrata", "mas tiras à esquerda que é importante".

"À esquerda e à direita", frisou o porta-voz do PAN.

Já antes, uma mulher dava recomendações de estratégia de campanha a André Silva, que condiziam com algo que o PAN gosta muito de frisar.

"Nem pela direita, nem pela esquerda, pela verdade", vincou a mulher.

Pelo caminho, foi recebendo apoios, acima de tudo de uma população mais velha, como o caso de Manuel Ferreira, de 74 anos, que depois de o ouvir na televisão decidiu que o seu voto irá para o PAN. "Tem muita razão no que diz".

Já ao lado, outro homem protestava que "falar dos animais não chega".

Mas era de animais que a população mais falava na abordagem ao candidato, fossem queixas de preços muito altos nas clínicas veterinárias ou apoios por abolir touradas e defender o bem-estar dos animais.

"O PAN é um bocado fundamentalista. Não pode ser só proibir", criticou uma habitante de Barcelos.

"É proibido conduzir num semáforo vermelho, ou depois de beber uns copos. No ambiente, como não há regras, temos que pôr regras novas", respondeu o deputado.

"Mas são exigentes", retorquiu a mulher, que deixou um sorriso em André Silva, por ter começado a conversa a dizer que eram fundamentalistas e acabar a dizer que eram exigentes - "assim está melhor".

Na terra do galo, houve ainda quem lhe perguntasse se os galos não lhe davam bicadas.

"Nem os galos nem as galinhas. Todos os animais são nossos amigos. A nós não nos dão bicadas", respondeu.

Questionado pelos jornalistas sobre a ausência de ?bicadas' de Augusto Santos Silva ao PAN nas críticas que fez hoje quer à esquerda quer à direita do PS, André Silva respondeu que, se calhar, o ministro dos Negócios Estrangeiros, "tal como a maioria dos portugueses, reconhece o bom trabalho que o PAN tem feito e provavelmente não encontra nenhuma crítica a fazer".

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