A campanha eleitoral inicia-se oficialmente duas semanas antes das eleições, com a colocação de cartazes nas ruas.

Embora com uma dimensão aproximada à de Portugal, trata-se de um país muito diferente: está dividido em três regiões – Flandres, de língua neerlandesa, Valónia, francófona e onde existe um ’enclave’ composto pela comunidade germanófona, e Bruxelas-capital, bilingue.

Para além dos cartazes e dos folhetos colocados nas caixas do correio ou nos para-brisas dos automóveis, a campanha eleitoral é praticamente invisível nas ruas de um país onde o voto é obrigatório.

Terminadas as eleições, os cartazes são logo retirados.

Há encontros com eleitorado, discursos e debates nas rádios e TV, mas não se fazem arruadas à portuguesa nem jantares-comício. Aliás, o foco da campanha é posto nas eleições autárquicas (comunais) e regionais, tendo o governo federal competências muito mais restritas do que as de um país não regionalizado: política externa, de defesa e orçamental são as grandes linhas de margem nacional.

Cada região tem os seus partidos e a composição de um governo federal é em regra uma tarefa dura porque obriga a negociações entre partidos das duas principais comunidades linguísticas para se formar uma coligação de maioria parlamentar com representação na composição do executivo.

Mesmo a formação de executivos regionais está a revelar-se uma tarefa complicada. Cem dias depois das eleições de 26 de maio último ainda só foram formados dois governos: o da região de Bruxelas e o da comunidade germanófona.

As regras para a campanha eleitoral fixam que seis meses antes das eleições os partidos estão sujeitos a regras apertadas no que respeita a gastos e financiamento.

O PS – o principal partido francófono - teve este ano um limite de 4,4 milhões de euros para despesas de campanha, contra os 6,6 milhões dos nacionalistas flamengos do NV-A, que tem o maior número de eleitores e eleitos.

Os círculos eleitorais da metade flamenga do país (com cerca de 60% da população) são maiores do que os da Valónia, pelo que, em média, os partidos da Flandres podem gastar uma média de 4,4 milhões de euros e os francófonos dispõem de uma verba média de 3,5 milhões em campanha eleitoral.

Nas últimas eleições as questões ambientais dominaram a campanha, tendo os liberais francófonos do MR – partido do primeiro-ministro em gestão, Charles Michel, - utilizado veículos elétricos, os democratas-cristãos francófonos do CDH assumido o compromisso de plantar árvores para compensar a pegada ecológica e os ecologistas do Ecolo continuado a usar exclusivamente papel reciclado.

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