"Há duas regras essenciais: a do financiamento e a da pluralidade. Um candidato pode gastar numa eleição presidencial até 22,5 milhões de euros, se for às duas voltas, o que não é muito tendo em conta o território francês. E os meios de comunicação são obrigados a cobrir todos os candidatos de forma igual, até porque não pode haver publicidade a partidos durante a campanha", afirmou o investigador do Centro de Investigação Política da Sciences Po (CEVIPOF) Thierry Vedel em declarações à Agência Lusa.

Esta última regra faz com que até os partidos pequenos tenham alguma representação "sem grande esforço", de acordo com o politólogo, porque os jornalistas são obrigados a dar o mesmo tempo de antena a todos, num país de sistema presidencialista.

No quotidiano de um candidato a Presidente, um dia normal de campanha começa com declarações logo pela manhã na rádio - que marca a agenda mediática do país - ou num canal de informação contínua - há cinco em França - em Paris, a seguir uma visita a uma cidade que pode ficar a centenas de quilómetros de distância para um encontro com associações ou sindicatos e dois comícios, um ao final da tarde, mais pequeno, e um à noite com maior dimensão e, por fim, o regresso à capital.

Estas deslocações e agendas “loucas” são hoje possíveis de forma mais ágil graças à utilização de comboio TGV (alta velocidade) ou mesmo recorrendo a aviões privados.

Em determinados pontos da campanha, acontecem os ‘meetings’, grandes comícios em salas para milhares de pessoas.

"Hoje, os grandes comícios em França, são organizados pelas mesmas pessoas que organizam grandes concertos e que não têm nada a ver com a política. São eventos que podem custar na ordem dos 600 mil euros e servem, sobretudo, para a televisão e para as redes sociais", afirmou Thierry Vedel.

Também os debates televisivos têm ainda um papel central: "As pessoas em França continuam a ver a televisão porque é algo que cria laços sociais, portanto os candidatos dão a conhecer-se através das primárias e dos debates que têm um grande impacto no seu desempenho eleitoral", indicou o investigador.

Em relação à eleição mais recente que levou Emmanuel Macron ao Palácio do Eliseu, Thierry Vedel duvida que a sua campanha possa ser usada como modelo para outros candidatos.

“A eleição de Macron foi, possivelmente, um caso único que nunca se vai reproduzir. E esse é o drama, porque penso que o Republique En Marche está convencido de que tinha uma estratégia, mas tiveram muita sorte. E isso vê-se já nas municipais porque aí eles precisam mesmo de uma estratégia e não são capazes de se organizar", afirmou o especialista em campanha eleitorais indicando que as eleições municipais que se avizinham podem ser difíceis para o partido que se formou para eleger Macron e detém atualmente a maioria na Assembleia Nacional.

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