“Para a CDU, os nossos grandes objetivos são ter mais votos e eleger mais deputados”, disse Edgar Silva, numa entrevista à agência Lusa, considerando que este “é o objetivo positivo” da coligação formada por PCP e PEV, que teve na última legislatura um grupo parlamentar com dois deputados.

O candidato sublinhou que “quantos mais votos a CDU conseguir alcançar e quantos mais deputados conseguir eleger, maiores serão as garantias que um novo rumo para a autonomia se concretizará”.

O cabeça de lista da CDU da Madeira salienta que o atual “quadro político está marcado por uma bipolarização forçada: ou Paulo Cafôfo [PS] ou Miguel Albuquerque [PSD]”.

Edgar Silva sustenta que o processo está a ser colocado “como se nestas eleições o que estivesse em causa fosse eleger o presidente do Governo Regional”, quando é, sublinha, para eleger deputados.

O dirigente comunista também critica a tentativa de “fulanização”, fazendo passar a ideia de mudança, como se “substituir uns por outros bastasse e fosse suficiente”, complementando que tornam o processo “como se estivesse em causa escolher entre uma pessoa e outra e não a natureza do projeto, não uma linha de ação e compromisso”.

Na opinião de Edgar Silva, “é sobre estes dois polos de referência na mentalidade, naquilo que conta para as pessoas” que a CDU tem de intervir.

O responsável argumentou que “o PS tem falado, sobretudo, que o seu grande objetivo é a alternância, o que não passa de substituir uns por outros nas cadeiras do poder”, afirmando que “não basta que mudem as moscas”.

“A alternativa é outra coisa. Tem que ser um novo rumo, um novo projeto, tem que ter um conjunto de elementos que densifiquem uma viragem”, realçou.

Edgar Silva destacou que nas próximas eleições, “como aconteceu para Assembleia da República há quatro anos, um partido até pode ter mais votos, mas pode não vir a formar governo”.

O dirigente comunista apontou que vai ser “a correlação de forças que se venha a estabelecer no parlamento [regional] que vai determinar toda aquela que vai ser a perspetiva de futuro” na região.

Na sua opinião, “ninguém vai ter maioria absoluta” e, nesse caso, “ninguém sabe como vai ser a solução governativa no futuro”, vincando que “em política, o verbo não se conjuga no condicional” e “está tudo em aberto”.

“Só depois da eleição dos deputados é que se poderá tratar com seriedade do futuro governo”, o que, no seu entender, pode vir a ser “um processo muito complexo”.

Os vetores relacionados com a justiça ambiental e a social vão marcar a atuação da candidatura da CDU.

O PCP/PEV, caso consiga manter o grupo parlamentar eleito em 1996, vai continuar também a aplicar o princípio da rotatividade dos deputados.

Em termos de campanha, Edgar Silva anunciou que a candidatura vai utilizar a exposição fotográfica itinerante com 50 imagens dos denominados “berbicachos do regime”, mostrando as “obras inúteis” em que se esbanjaram milhões de euros da região ao longo de quatro décadas na região.

Vai ainda apostar no porta a porta, na proximidade com os eleitores, e tem agendado um almoço comício, dia 25 de agosto, com o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa.

Nas eleições legislativas regionais de 2015, a CDU obteve 7.060 votos (5,54%), elegendo dois dos 47 deputados.

*Por Ana Basílio (texto) e Homem de Gouveia (foto), da agência Lusa

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