Um dia antes da descolagem "não vou conseguir dormir muito, com certeza", disse à AFP o diretor de voo da NASA, perante dezenas de ecrãs da sala de comando em Houston, no Texas.

Pela primeira vez desde a última missão Apollo, em 1972, um foguetão - o mais poderoso do mundo - vai impulsionar uma cápsula habitável para orbitar ao redor da Lua, antes de regressar à Terra.

A partir de 2024, os astronautas embarcarão para fazer a mesma jornada e, no ano seguinte, voltarão a pisar na Lua.

Para esta primeira missão de teste de 42 dias, chamada Artemis 1, dez pessoas estarão o tempo todo na famosa sala "Mission Control Center", modernizada para a ocasião.

As equipas ensaiam o plano de voo há três anos. "É tudo completamente novo. Um foguetão totalmente novo, uma nave totalmente nova, um centro de comando totalmente novo", resume Brian Perry, que estará responsável pela trajetória logo após o lançamento.

"Posso dizer que o meu coração vai acelerar, mas vou certificar-me de que mantenho o foco", disse à AFP.

A piscina lunar

Além da sala de comando, todo o Centro Espacial Johnson, em Houston, foi ajustado para a hora da Lua.

No meio de uma enorme piscina, com mais de 12 metros de profundidade, onde os astronautas treinam, uma cortina preta divide o espaço.

De um lado ainda está a réplica submersa da Estação Espacial Internacional. Do outro, um ambiente lunar desenvolve-se gradualmente no fundo, com gigantescos modelos de rochas, fabricados por uma empresa especializada em decoração de aquários.

"Começámos a colocar areia no fundo da piscina há apenas alguns meses. As pedras chegaram há duas semanas", diz Lisa Shore, vice-diretora deste Laboratório de Flutuabilidade (NBL) à AFP.

"Está tudo ainda em desenvolvimento".

Na água, os astronautas podem experimentar uma sensação próxima da ausência total de peso. Para o treino lunar, são preparados para sentir apenas um sexto do seu peso.

De uma sala acima da piscina, são guiados a distância, com o atraso de quatro segundos que vão encontrar também na Lua.

Seis astronautas já treinaram neste local, e outros seis devem fazê-lo até o final de setembro, já com os novos fatos lunares, desenvolvidos pela NASA pela primeira vez.

"O auge deste edifício foi quando ainda estávamos a pilotar os vaivéns espaciais e construir a estação espacial", explica o chefe da NBL, John Haas.

À data, 400 sessões de treino eram realizadas por ano, em comparação com as cerca de 150 que hoje têm lugar.

Mas o programa Artemis traz um novo impulso.

No momento da visita da AFP, engenheiros e mergulhadores estavam a avaliar como empurrar um carrinho na Lua.

"Nova era de ouro"

Os exercícios aquáticos podem durar até seis horas. "É como correr uma maratona, duas vezes, mas com as mãos", comenta à AFP Victor Glover, astronauta da NASA que voltou de seis meses no espaço.

Hoje, trabalha num prédio inteiramente dedicado a simuladores.

O seu papel é ajudar a "verificar os procedimentos e o material", para que aqueles que forem à Lua (sendo que Glover pode ser um deles) possam preparar-se intensivamente e estar rapidamente prontos para ir".

Graças aos equipamentos de realidade virtual, os astronautas poderão acostumar-se a caminhar nas difíceis condições de luz do polo sul da Lua, onde as missões Artemis vão pousar.

Lá, o Sol nasce muito pouco acima do horizonte, formando constantemente longas sombras muito escuras.

Também terão de se familiarizar com as novas naves e os seus softwares, como é o caso com a cápsula Orion.

Num dos simuladores, é preciso, com apenas um joystick, acoplar a futura estação espacial lunar, a Gateway.

Noutros locais, uma réplica da cápsula, com volume de 9 metros cúbicos, para quatro passageiros, é usada para testes em escala real.

Os astronautas "fazem também muitos treinos de emergência aqui", mostra à AFP Debbie Korth, vice-gerente do projeto Orion, no qual trabalha há mais de dez anos.

Em todo o centro espacial, "as pessoas estão animadas" com esta missão, confessa.

Para a NASA, é o início de  "uma nova era de ouro".

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